Manejo do Abdome Agudo Inflamatório com Peritonite

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Mulher com 25 anos de idade deu entrada no Serviço de Emergência, prostrada, com vômitos. Ao exame físico observou-se hipotensão arterial, febre de 39°C, defesa na fossa ilíaca direita, distensão e irritação peritonial difusas. O exame ginecológico e o toque retal evidenciaram a presença de dor no fundo de saco posterior à mobilização do colo uterino. A punho percussão lombar era negativa, bilateralmente. A melhor abordagem para o caso é:

Alternativas

  1. A) Reposição volêmica; realização de hemograma; solicitação de tomografia computadorizada do abdome para excluir o diagnóstico de pelvi-peritonite.
  2. B) Reposição volêmica; realização de hemograma; iniciar antibioticoterapia após coleta de sangue para hemocultura e indicar o tratamento cirúrgico.
  3. C) Reposição volêmica; solicitação de exame de urina, de exames de rotina para abdome agudo; repetir a ultrassonografia e reavaliar periodicamente.
  4. D) Solicitação de hemograma; realização de exame de urina e ultrassom para fazer o diagnóstico diferencial com ruptura de cisto ovariano.
  5. E) Reposição volêmica; solicitação de radiografia do abdome inferior e reavaliar.

Pérola Clínica

Hipotensão + Febre + Peritonite difusa → Estabilização hemodinâmica + Antibiótico + Cirurgia imediata.

Resumo-Chave

Em pacientes com sinais de irritação peritoneal difusa e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é a ressuscitação volêmica seguida de intervenção cirúrgica para controle do foco infeccioso.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve uma paciente jovem com quadro de abdome agudo inflamatório grave. A presença de hipotensão e febre alta indica um estado de choque séptico. A dor à mobilização do colo uterino sugere Doença Inflamatória Pélvica (DIP), mas a irritação peritoneal difusa indica que houve ruptura de abscesso tubo-ovariano ou progressão para peritonite generalizada. Nestes casos, a estabilização hemodinâmica com cristaloides e a intervenção cirúrgica (laparotomia ou laparoscopia) são mandatórias para lavagem da cavidade e tratamento da fonte infecciosa.

Perguntas Frequentes

Quando indicar cirurgia no abdome agudo inflamatório?

A cirurgia está indicada na presença de sinais de irritação peritoneal difusa (abdome em tábua, descompressão dolorosa generalizada), instabilidade hemodinâmica que sugere sepse de foco abdominal, ou quando há falha no tratamento clínico inicial de condições como DIP ou apendicite.

Qual o papel da antibioticoterapia na peritonite difusa?

A antibioticoterapia deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente na primeira hora após a identificação da sepse/peritonite, logo após a coleta de hemoculturas. O espectro deve cobrir gram-negativos, gram-positivos e anaeróbios, comuns em infecções pélvicas e gastrointestinais.

Como diferenciar DIP de apendicite aguda no exame físico?

A DIP frequentemente apresenta dor à mobilização do colo uterino e anexos no toque vaginal, além de ser geralmente bilateral. A apendicite aguda costuma ter dor localizada inicialmente em região periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney), mas em casos de peritonite difusa, a distinção clínica pode ser impossível sem exploração cirúrgica.

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