Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 2024

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 40 anos de idade, foi atendida na Emergência por apresentar dor pélvica há um dia. Primípara com parto normal há 4 anos. Refere ciclos menstruais regulares, última menstruação há oito dias. Método contraceptivo: coito interrompido. Também refere aparecimento de secreção amarelada por via vaginal, há três dias. Ao exame físico, essa paciente apresenta bom estado geral, T: 37,3ºC, dor à palpação abdominal, descompressão brusca abdominal negativa. Ao exame especular: Secreção amarelada e de odor fétido, extravasando pelo orifício externo do colo. Ao toque: dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação de anexos. Realizou ultrassonografia transvaginal sem alterações. No momento, a conduta terapêutica mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Proceder a internação e fazer uso de antibioticoterapia venosa, considerando que a paciente possui o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica.
  2. B) Adotar como tratamento de escolha ceftriaxone 500mg, intramuscular, dose única + doxicilina 100mg, via oral, a cada 12 horas por 14 dias + metronidazol, 500mg, via oral, a cada 12 horas por 14 dias, considerando que a paciente possui o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica.
  3. C) Fazer uso de metronidazol 2g, via oral, dose única, pois trata-se, provavelmente, de uma vaginite por trichomonas vaginalis.
  4. D) Usar azitromicina 1g, via oral, dose única + metronidazol 2g, via oral, dose única, considerando que a paciente possui o diagnóstico de cervicite por clamídia.

Pérola Clínica

DIP ambulatorial → Ceftriaxona 500mg IM + Doxiciclina 100mg VO (14d) + Metronidazol 500mg VO (14d).

Resumo-Chave

O diagnóstico de DIP é clínico, baseado em dor pélvica e dor à mobilização cervical. O tratamento ambulatorial exige cobertura tripla para gonococo, clamídia e anaeróbios.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) resulta da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o útero, trompas e peritônio. Os principais agentes são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, mas a etiologia é frequentemente polimicrobiana. O manejo ambulatorial é seguro para pacientes com quadros leves a moderados (Grau I de Monif). As diretrizes atuais enfatizam a importância da dose única de Ceftriaxona (500mg ou 1g dependendo do protocolo local) associada a 14 dias de Doxiciclina e Metronidazol. O rastreio e tratamento de parceiros sexuais recentes é obrigatório para prevenir a reinfecção e controlar a disseminação de ISTs.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios mínimos para diagnóstico de DIP?

Os critérios mínimos para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) incluem a presença de dor à palpação abdominal infraumbilical, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino no exame bimanual. A presença de febre, secreção vaginal ou cervical purulenta e elevação de marcadores inflamatórios (VHS/PCR) corroboram o diagnóstico, mas a ausência destes não o exclui. O diagnóstico é eminentemente clínico e o tratamento deve ser iniciado precocemente para evitar sequelas como infertilidade e dor pélvica crônica.

Quando indicar tratamento hospitalar na DIP?

A internação para tratamento venoso está indicada em casos de gravidez, falha do tratamento ambulatorial após 72 horas, intolerância a antibióticos orais, estado geral grave (náuseas, vômitos, febre alta), suspeita de abscesso tubo-ovariano, emergências cirúrgicas não excluídas (como apendicite) ou em pacientes imunocomprometidas. O esquema hospitalar padrão geralmente envolve Clindamicina e Gentamicina ou Ceftriaxona venosa associada a Doxiciclina e Metronidazol.

Por que usar Metronidazol no esquema ambulatorial?

O Metronidazol é incluído no esquema de tratamento ambulatorial da DIP para garantir cobertura contra bactérias anaeróbias, que frequentemente participam da microbiota polimicrobiana da infecção ascendente. Estudos demonstram que a cobertura anaeróbia eficaz reduz significativamente as taxas de falha terapêutica e protege melhor o trato reprodutivo superior contra danos estruturais que levam à obstrução tubária e gestação ectópica futura.

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