Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Conduta Clínica

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 23 anos vem a consulta ginecológica acompanhada de sua genitora, preocupada com o resultado de um exame alterado. É nuligesta, sem histórico de doenças crônicas, infecções sexualmente transmissíveis. Sexarca aos 16 anos, Menarca aos 11 anos, ciclos mensais, intervalos de 28 dias, duração de 5 dias. Apresentou o resultado de uma Colpocitologia oncótica realizada há 60 dias, por sugestão da genitora: Atipia escamosa de significado indeterminado (ASCUS). Ao exame: Bom estado geral, consciente, orientada, eupneica, acianótica, TAX: 38,3ºC. Exame da genitália: Colo normotrófico, epitelizado, orifício externo circular, com saída ativa de secreção semelhante a pus do orifício externo do colo. Sobre este caso responda os questionamentos abaixo:a) O exame físico geral e especular desta paciente levantam a hipótese diagnóstica principal de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Cite os critérios maiores a serem pesquisados, nesta consulta, através do exame físico para confirmação diagnóstica.b) Informe os principais agentes etiológicos causadores da DIP ( Favor não citar os agentes coadjuvantes).c) Você fez a opção por realizar tratamento clínico, após a confirmação de DIP, escolhendo as seguintes medicações: Doxicilina, Metronidazol e Ceftriaxona (esquema tríplice). Realize a prescrição médica informando Nome, apresentação, posologia, intervalo de administração, via de utilização e duração do tratamento.d) Após a prescrição médica proposta acima, você orienta a paciente sobre os sinais de alerta e critérios de gravidade do quadro. Cite 3 ( três) critérios de gravidade que indicarão a necessidade de internação desta paciente.e) Baseado nas orientações do Ministério da Saúde/Inca (2016), em relação ao exame de Colpocitologia oncótica apresentado, quais orientações devem ser dadas a paciente?

Alternativas

Pérola Clínica

Dor à mobilização do colo + dor anexial + dor hipogástrica = Diagnóstico clínico de DIP.

Resumo-Chave

A DIP é um diagnóstico clínico baseado em critérios maiores e menores; o tratamento ambulatorial deve cobrir gonococo, clamídia e anaeróbios simultaneamente.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o útero, tubas uterinas e estruturas adjacentes. Os principais agentes etiológicos são a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis, embora a infecção seja frequentemente polimicrobiana. O diagnóstico é clínico, e o tratamento não deve ser retardado, visando prevenir sequelas graves como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. Em relação ao achado de ASCUS (Atipias de Células Escamosas de Significado Indeterminado) em pacientes menores de 25 anos, as diretrizes brasileiras (INCA/MS 2016) recomendam a repetição da citologia em 3 anos, devido à alta taxa de regressão espontânea nessa faixa etária. No caso clínico apresentado, a prioridade absoluta é o tratamento da infecção aguda (DIP), postergando-se a conduta citológica para após a resolução do quadro inflamatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores para o diagnóstico de DIP?

Os critérios maiores, também conhecidos como critérios mínimos de Hager, incluem: dor no hipogástrio, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. A presença desses três achados em uma paciente sexualmente ativa é altamente sugestiva de Doença Inflamatória Pélvica e autoriza o início do tratamento empírico, especialmente se associada a critérios menores como febre, secreção vaginal purulenta ou elevação de marcadores inflamatórios.

Qual o esquema terapêutico ambulatorial recomendado para DIP?

O esquema tríplice padrão envolve: Ceftriaxona 500mg IM (dose única) para cobertura de Neisseria gonorrhoeae; Doxiciclina 100mg VO de 12/12h por 14 dias para Chlamydia trachomatis; e Metronidazol 500mg VO de 12/12h por 14 dias para cobertura de anaeróbios. É fundamental tratar também os parceiros sexuais dos últimos 60 dias para evitar a reinfecção e a progressão da doença.

Quais as indicações de internação hospitalar na DIP?

A internação é indicada em casos de: gravidez, falta de resposta clínica ao tratamento oral após 72 horas, intolerância a medicações orais (vômitos), estado geral grave (febre alta, prostração), suspeita de abscesso tubo-ovariano, sinais de peritonite ou quando o diagnóstico diferencial com emergências cirúrgicas (como apendicite) não pode ser excluído.

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