DIP: Diagnóstico Clínico e Manejo na Residência Médica

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

A doença inflamatória pélvica aguda (DIPA) consiste numa infecção sexualmente transmissível (IST) e ascendente do trato genital feminino, resultando em uma endometrite, salpingite e/ou ooforite. Na assistência à mulher com doença inflamatória pélvica (DIP):

Alternativas

  1. A) A antibioticoterapia deve ser sempre oral, pois o tratamento endovenoso não apresenta vantagens em casos graves.
  2. B) O diagnóstico é eminentemente clínico, devendo ser considerado em mulheres com dor pélvica associada à dor à mobilização do colo do útero, dor anexial ou dor uterina.
  3. C) A infecção é geralmente causada por vírus, sendo o papilomavírus humano (HPV) o principal agente envolvido.
  4. D) A inserção de dispositivo intrauterino (DIU) é contraindicação absoluta após episódio de DIP, devendo-se retirá-lo imediatamente.
  5. E) A laparoscopia é o método de escolha para rastreamento populacional da DIP, sendo indicada rotineiramente no pré-natal.

Pérola Clínica

DIP = Dor à mobilização do colo + dor anexial/uterina. Diagnóstico clínico → Iniciar ATB imediato.

Resumo-Chave

A DIP é uma infecção polimicrobiana ascendente. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos mínimos para evitar sequelas graves como infertilidade e dor pélvica crônica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) representa um espectro de processos inflamatórios do trato genital superior feminino. A fisiopatologia envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo (frequentemente N. gonorrhoeae e C. trachomatis) para o endométrio e tubas uterinas. O diagnóstico precoce é fundamental, pois o atraso no tratamento aumenta exponencialmente o risco de sequelas permanentes. Na prática clínica, o diagnóstico é eminentemente clínico. Exames laboratoriais como leucograma e PCR podem auxiliar, mas sua normalidade não exclui a doença. A laparoscopia é o padrão-ouro, porém reservada para casos de dúvida diagnóstica ou falha terapêutica grave. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, cobrindo patógenos aeróbios e anaeróbios.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios mínimos para diagnóstico de DIP?

Os critérios mínimos, segundo o CDC e o Ministério da Saúde, incluem dor à palpação uterina, dor à palpação anexial ou dor à mobilização do colo uterino em pacientes sexualmente ativas ou sob risco de IST. A presença de apenas um desses critérios é suficiente para iniciar o tratamento empírico, visando reduzir o risco de complicações a longo prazo, como gravidez ectópica e infertilidade.

Quando indicar tratamento hospitalar na DIP?

O tratamento hospitalar (parenteral) é indicado em casos de gravidez, falta de resposta clínica ao tratamento oral após 72 horas, impossibilidade de seguir o regime ambulatorial, náuseas/vômitos intensos, febre alta, sinais de peritonite ou presença de abscesso tubo-ovariano. O esquema preferencial envolve Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol endovenosos.

É necessário retirar o DIU em caso de DIP?

Não é obrigatória a retirada imediata do DIU em casos de DIP leve a moderada. A recomendação atual é iniciar a antibioticoterapia e monitorar a paciente. Se não houver melhora clínica em 48 a 72 horas, a remoção do dispositivo deve ser considerada. A manutenção do DIU não agrava o prognóstico se o tratamento antibiótico for eficaz.

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