DIP: Diagnóstico e Manejo da Doença Inflamatória Pélvica

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 28 anos de idade, sem histórico de comorbidades, procura o serviço de saúde com queixa de secreção vaginal de odor fétido que iniciou há aproximadamente 5 dias. Última menstruação há 10 dias. Refere, também, dor no baixo ventre, principalmente à palpação, e relata relação sexual desprotegida no último mês. Ao exame físico, observa-se secreção vaginal espessa e de cor amarelada, com sinais de edema no colo uterino. O exame especular revela secreção purulenta e a mobilização do colo uterino é dolorosa. A paciente não apresenta febre nem instabilidade hemodinâmica.Considerando a principal suspeita diagnóstica, indique o tratamento inicial mais adequado para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Antibióticos orais empíricos com azitromicina e ceftriaxona.
  2. B) Prescrição de antifúngicos tópicos para tratamento de candidíase.
  3. C) Terapia antibiótica intravenosa com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol.
  4. D) Tratamento com antivirais, como aciclovir, caso o quadro seja sugestivo de herpes genital.

Pérola Clínica

Dor à mobilização do colo + secreção purulenta → DIP (Tratar p/ Gonococo, Clamídia e Anaeróbios).

Resumo-Chave

A DIP é uma síndrome polimicrobiana ascendente. O tratamento parenteral é indicado em casos de gravidade, gestação, ou impossibilidade de via oral, cobrindo patógenos Gram-negativos e anaeróbios.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) resulta da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o útero, trompas e peritônio. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios mínimos (dor à palpação anexial ou mobilização cervical). A classificação de Monif ajuda a estratificar a gravidade, sendo o Estágio I (salpingite sem peritonite) passível de tratamento ambulatorial, enquanto estágios superiores ou complicações exigem internação. O tratamento deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. O esquema parenteral clássico envolve Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol, garantindo amplo espectro contra os principais agentes etiológicos e a flora polimicrobiana vaginal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de internação na DIP?

Os critérios incluem gravidez, falta de resposta clínica à terapia oral após 72 horas, intolerância a antibióticos orais, doença clínica grave (febre alta, náuseas, vômitos), abscesso tubo-ovariano ou necessidade de exploração cirúrgica para excluir emergências como apendicite.

Por que incluir Metronidazol no esquema de DIP?

Embora a Doxiciclina cubra Clamídia, o Metronidazol é essencial para garantir a cobertura de anaeróbios, que estão frequentemente associados à vaginose bacteriana coexistente e à formação de abscessos pélvicos na DIP.

Como deve ser o manejo dos parceiros sexuais?

Todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser avaliados e tratados empiricamente para Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, independentemente da presença de sintomas, para evitar a reinfecção da paciente.

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