PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
Paciente de 26 anos, usuária de anticoncepcional oral combinado há um ano, procura consultório ginecológico queixando-se de dor pélvica, dispareunia e corrimento vaginal há sete dias. Ao exame clínico, apresenta bom estado geral, abdome doloroso à palpação profunda em região suprapúbica, mas sem massas palpáveis ou visceromegalias. Presença de secreção vaginal mucopurulenta no exame especular. Ao toque ginecológico: colo doloroso à mobilização e ausência de massas anexiais. Relata ciclos menstruais regulares, vida sexual ativa e sem parceiro fixo. Em relação a essa paciente assinale a conduta inicial CORRETA:
Dor pélvica + dor à mobilização do colo + corrimento mucopurulento → DIP, iniciar ATB empírico oral ambulatorial.
O quadro clínico (dor pélvica, dispareunia, corrimento mucopurulento, dor à mobilização do colo) é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A paciente não apresenta critérios de internação (febre alta, abscesso, falha de tratamento oral, gravidez, imunodeficiência, náuseas/vômitos graves). Portanto, o tratamento inicial é empírico, oral e ambulatorial, cobrindo os principais patógenos (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e anaeróbios).
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. É uma condição comum em mulheres jovens sexualmente ativas, especialmente aquelas com múltiplos parceiros ou histórico de ISTs, e pode levar a sequelas graves como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O diagnóstico de DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação anexial. A presença de corrimento vaginal ou cervical mucopurulento, febre, leucocitose e aumento de PCR/VHS são achados adicionais que reforçam a suspeita. Dada a gravidade das possíveis sequelas, o tratamento deve ser iniciado empiricamente e de forma imediata, sem aguardar resultados de culturas, assim que a suspeita clínica for estabelecida. O tratamento empírico da DIP visa cobrir os principais patógenos, como Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias. Em pacientes sem critérios de gravidade (como os descritos na questão), o tratamento oral ambulatorial é a conduta inicial correta, geralmente com uma combinação de antibióticos como ceftriaxona intramuscular (dose única) seguida de doxiciclina oral e metronidazol oral. O acompanhamento rigoroso é essencial para garantir a adesão e a melhora clínica.
Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal em região suprapúbica, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial (sensibilidade anexial). A presença de corrimento vaginal ou cervical mucopurulento também é um forte indicativo.
Os principais patógenos são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, que ascendem do trato genital inferior. Outros microrganismos incluem bactérias anaeróbias, Gardnerella vaginalis e Mycoplasma genitalium.
A internação é indicada em casos de DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano), gravidez, falha do tratamento ambulatorial, imunodeficiência, ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.
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