Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP): Protocolo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

F.T.O., 23 anos, solteira, nuligesta. Refere dor em hipogástrio há 5 dias, leucorreia amarelada, com odor fétido, além de dispareunia de profundidade. Já foi ao ginecologista várias vezes por leucorreia fétida. Chega ao pronto-socorro ginecológico com quadro de TAX 38,3 graus Celsius, e piora da dor pélvica. Em uso regular de ACHO (anticoncepção hormonal oral). Ao exame físico: BEG, corada, hidratada, FC 98 bpm, PA 100 x 60 mmHg, saturação O2: 98%. Abdome: dor à palpação profunda. Dor à descompressão brusca negativa. Especular: secreção vaginal em moderada quantidade, amarelada, bolhosa e fétida. Toque vaginal bimanual: dor à mobilização do colo uterino, anexos não palpáveis.Considerando o diagnóstico adequado, assinale a alternativa que apresenta o tratamento de eleição para o paciente do caso descrito.

Alternativas

  1. A) Internação e cirurgia de urgência.
  2. B) Ceftriaxone 250 mg IM em dose única + doxiciclina 100 mg 12/12 horas, VO, por 14 dias + Metronidazol 500 mg VO 12/12 horas, por 14 dias.
  3. C) Doxiciclina 100 mg VO 12/12 horas por 21 dias.
  4. D) Metronidazol 0,75% gel VV 1x por dia por 14 dias.

Pérola Clínica

DIP Estágio I/II → Ceftriaxone 500mg IM + Doxiciclina 100mg VO (14d) + Metronidazol 500mg VO (14d).

Resumo-Chave

O tratamento da DIP deve cobrir patógenos gram-negativos, anaeróbios e germes atípicos. O esquema tríplice garante cobertura para Gonococo, Clamídia e anaeróbios da flora vaginal.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior. É uma causa importante de morbidade feminina, podendo levar à infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos critérios de Hager. O tratamento deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas. O esquema ambulatorial clássico envolve uma dose única de cefalosporina de terceira geração (Ceftriaxone) associada a 14 dias de Doxiciclina e Metronidazol. É fundamental tratar também os parceiros sexuais dos últimos 60 dias para evitar a reinfecção, independentemente de estarem sintomáticos, visando a quebra da cadeia de transmissão.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios mínimos para diagnóstico de DIP?

Segundo o CDC e o Ministério da Saúde, na presença de dor pélvica ou abdominal baixa, o diagnóstico de DIP deve ser considerado se houver um dos seguintes critérios mínimos ao exame bimanual: dor à mobilização do colo uterino, dor anexial ou dor à palpação uterina. A presença de febre e secreção vaginal purulenta reforça a suspeita clínica.

Quando internar uma paciente com DIP?

As indicações de internação incluem: gestação, falta de resposta clínica ao tratamento oral após 72h, intolerância a antibióticos orais, quadro clínico grave (febre alta, náuseas, vômitos), suspeita de abscesso tubo-ovariano ou necessidade de exclusão de emergências cirúrgicas como apendicite ou gravidez ectópica.

Por que incluir Metronidazol no esquema de DIP?

Embora a Doxiciclina e o Ceftriaxone cubram os principais agentes (Clamídia e Gonococo), o Metronidazol é adicionado para ampliar a cobertura contra anaeróbios. Estes microrganismos frequentemente participam da patogênese da DIP e estão associados a maior dano tubário e formação de abscessos pélvicos.

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