DIP em Usuária de DIU: Diagnóstico e Tratamento Essencial

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 28 anos, G0P0, é atendida na Unidade Básica de Saúde com queixa de dor de intensidade moderada em baixo ventre e sangramento genital discreto, intermitente, alternando com secreção vaginal branco-amarelada, há cerca de uma semana. É usuária de DIU (dispositivo intrauterino) de levonogestrel, inserido há três anos, sem complicações e não saber precisar a DUM. Ao exame, apresenta dor à palpação da região anexial direita e à mobilização do colo uterino. A ultrassonografia endovaginal mostrou massa cística de conteúdo denso, de 3,5cm x 2,3cm em topografia de anexo direito e pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco. A dosagem de beta hCG foi negativa. Em relação ao diagnóstico e tratamento desta paciente, assinale a alternativa MAIS ADEQUADA:

Alternativas

  1. A) A paciente preenche critérios para o diagnóstico clínico de DIP e deve ser internada para iniciar antibioticoterapia com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol
  2. B) O DIU aumenta o risco de gravidez ectópica e este diagnóstico não pode ser descartado. Deve-se repetir a dosagem do beta-hCG e reavaliar ambulatorialmente em 3 dias
  3. C) O DIU deve ser removido antes de iniciar a antibioticoterapia ambulatorial com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol
  4. D) Tendo em vista os achados de cisto anexial e beta hCG negativo, o diagnóstico mais provável é torção de cisto ovariano, sendo indicada laparoscopia.

Pérola Clínica

DIP em usuária de DIU com dor pélvica e mobilização cervical dolorosa → ATB empírico (ceftriaxona, doxiciclina, metronidazol).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas clássicos de DIP (dor pélvica, sangramento, secreção, dor à mobilização do colo e anexial) com DIU, que é um fator de risco. O tratamento empírico com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol é a conduta inicial mais adequada, e a remoção do DIU não é rotineiramente indicada antes do início da antibioticoterapia, a menos que não haja melhora clínica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, com alta prevalência e importância clínica devido às suas potenciais sequelas, como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. É crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas, especialmente em grupos de risco como usuárias de DIU, embora o DIU de levonogestrel tenha um risco menor que o de cobre. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na tríade de dor abdominal baixa, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Exames complementares como ultrassonografia podem revelar achados como massa anexial ou líquido livre, mas não são mandatórios para iniciar o tratamento. A exclusão de gravidez ectópica com beta-hCG é fundamental, como feito no caso. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado prontamente para prevenir sequelas. O esquema ambulatorial com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol é eficaz contra os principais patógenos (gonococos, clamídias e anaeróbios). A internação é reservada para casos graves, gestantes, imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial ou quando há suspeita de abscesso tubo-ovariano. A remoção do DIU não é a conduta inicial, sendo reservada para falha terapêutica ou casos específicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios maiores incluem dor abdominal baixa, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais como febre, secreção vaginal anormal, leucocitose e aumento de VHS/PCR podem apoiar o diagnóstico.

Qual a conduta em relação ao DIU em pacientes com DIP?

O DIU geralmente não precisa ser removido imediatamente ao iniciar o tratamento para DIP, pois a remoção pode disseminar a infecção. A remoção é considerada se não houver melhora clínica após 48-72 horas de antibioticoterapia ou em casos graves de DIU de cobre.

Qual o esquema de antibioticoterapia ambulatorial recomendado para DIP?

O esquema ambulatorial recomendado inclui ceftriaxona intramuscular (dose única), seguida de doxiciclina oral por 14 dias e metronidazol oral por 14 dias. Este esquema cobre os principais patógenos envolvidos na DIP.

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