UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Mulher de 34 anos procurou a emergência, referindo dor pélvica há quatro dias, febre baixa, corrimento vaginal purulento e dispareunia. Não fez uso recente de antibióticos e nem teve internações nos últimos meses. Ao exame, apresenta sensibilidade à palpação abdominal em hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e presença de secreção vaginal espessa. A ultrassonografia apresenta imagem de abscesso tubo-ovariano de 3 cm. A conduta preconizada é realizar tratamento:
DIP + Abscesso Tubo-ovariano = Internação hospitalar + Antibioticoterapia Parenteral.
A presença de abscesso tubo-ovariano é um critério absoluto para hospitalização e tratamento endovenoso, independentemente do tamanho da coleção, visando cobertura polimicrobiana.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior. O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave que reflete um processo inflamatório avançado. O tratamento inicial do ATO íntegro deve ser clínico-hospitalar, garantindo níveis séricos adequados de antibióticos para penetração na massa inflamatória e cobertura contra gram-negativos, anaeróbios e patógenos sexualmente transmissíveis. A monitorização rigorosa é essencial para detectar precocemente a falha terapêutica ou a rotura do abscesso, que configuraria uma emergência cirúrgica.
Os critérios incluem: suspeita de abscesso tubo-ovariano, gestação, estado geral grave (náuseas, vômitos, febre alta), sinais de peritonite, falha no tratamento ambulatorial após 72 horas ou impossibilidade de aderência ao regime oral.
O esquema clássico é Clindamicina 900mg EV a cada 8h associada à Gentamicina (dose de ataque 2mg/kg e manutenção 1,5mg/kg 8/8h ou dose única diária 3-5mg/kg). Outra opção é Ceftriaxona + Doxiciclina + Metronidazol.
A cirurgia ou drenagem é reservada para casos de rotura do abscesso (emergência), instabilidade hemodinâmica, ou quando não há resposta clínica satisfatória (persistência de febre e dor) após 48 a 72 horas de antibioticoterapia parenteral correta.
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