IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Mulher de 23 anos, ultima menstruação há 10 dias, procura a emergência com dor abdominal há 3 dias, piora progressivamente. Há 1 dia com febre de 39 C. Ao exame: pressão arterial 100x60 mmHg, frequência cardíaca de 100 bpm, temperatura axilar 39.3 C. Abdome com distensão leve, peristalse presente, dor à palpação do andar inferior do abdome, sem descompressão dolorosa, ausência de massas ou visceromegalias. Exame especular sem alterações. Toque vaginal com dor à mobilização do útero e anexo. Beta HCG negativo. Ultrassonografia pélvica e tomografia normais. Qual plano terapêutico MAIS INDICADO?
DIP com febre alta e dor progressiva → internação, ATB IV (cefoxitina + doxiciclina), notificar parceiros.
A paciente apresenta um quadro de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) com sinais de gravidade (febre alta, dor progressiva, taquicardia). Nesses casos, a internação hospitalar é indicada para administração de antibióticos intravenosos de amplo espectro, como cefoxitina e doxiciclina, cobrindo os principais patógenos (gonococo, clamídia, anaeróbios). A investigação e tratamento dos parceiros sexuais são essenciais.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino que pode variar de leve a grave. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação anexial. A exclusão de outras condições como gravidez ectópica e apendicite é fundamental. A ultrassonografia pélvica e a tomografia podem ser normais em fases iniciais, mas são úteis para descartar abscessos ou outras patologias. O caso descrito, com febre de 39,3°C, dor abdominal progressiva e sinais de irritação pélvica ao toque vaginal, indica um quadro de DIP que preenche critérios para internação hospitalar. A presença de febre alta e a progressão da dor são sinais de gravidade que justificam a terapia parenteral. A instabilidade hemodinâmica (PA 100x60 mmHg, FC 100 bpm) também reforça a necessidade de manejo hospitalar. O plano terapêutico mais indicado envolve a internação para administração de antibióticos intravenosos de amplo espectro. O esquema de cefoxitina IV (com cobertura para gonococo e anaeróbios) e doxiciclina oral (para clamídia e micoplasmas) é uma escolha padrão para DIP hospitalar. Além disso, a convocação e tratamento dos parceiros sexuais são essenciais para evitar reinfecção e controlar a disseminação das infecções sexualmente transmissíveis. A laparoscopia de urgência (alternativa C) seria considerada apenas se houvesse suspeita de abscesso roto ou outras emergências cirúrgicas não ginecológicas.
Os critérios para internação em DIP incluem: suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, doença grave (febre alta >38°C, náuseas, vômitos, dor intensa), incapacidade de tolerar terapia oral, falha do tratamento ambulatorial, ou quando não se pode excluir emergências cirúrgicas (como apendicite).
Para DIP grave que requer internação, um esquema antibiótico intravenoso comum e eficaz é a combinação de cefoxitina (ou cefotetano) com doxiciclina. A cefoxitina cobre Neisseria gonorrhoeae e anaeróbios, enquanto a doxiciclina cobre Chlamydia trachomatis e Mycoplasma genitalium.
É crucial convocar e tratar os parceiros sexuais para prevenir a reinfecção da paciente e a disseminação das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Mesmo que assintomáticos, os parceiros podem ser portadores dos patógenos e devem ser avaliados e tratados para interromper a cadeia de transmissão.
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