HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Mulher, 23 anos de idade, primípara, queixou-se de dor em hipogástrio há três dias, com dor à mobilização do colo uterino e corrimento cervical amarelado. Usa como método contraceptivo o DIU de cobre (há seis meses). O Beta hCG era negativo e a ultrassonografia transvaginal normal. Iniciou ceftriaxona, metronidazol e doxiciclina e retorna após três dias, com febre (38,5 °C) e sem melhora da dor. Ultrassonografia atual sem alterações. Nesse caso, a conduta adequada é:
DIP com DIU e falha terapêutica inicial → considerar remoção do DIU.
Em casos de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em usuárias de DIU que não respondem ao tratamento antibiótico inicial, a remoção do DIU é uma conduta essencial, pois o dispositivo pode atuar como um corpo estranho e foco de infecção persistente.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor anexial. O uso de DIU, especialmente o de cobre, está associado a um risco ligeiramente aumentado de DIP nos primeiros meses após a inserção, mas o risco diminui significativamente depois. Em pacientes com DIP e DIU, o tratamento antibiótico empírico deve ser iniciado prontamente, cobrindo os principais patógenos (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e anaeróbios). Se a paciente não apresentar melhora clínica (persistência de febre, dor) após 48-72 horas de tratamento antibiótico adequado, a falha terapêutica deve ser investigada. Nesses casos, a remoção do DIU é uma conduta essencial, pois o dispositivo pode servir como um foco de infecção persistente, impedindo a resolução do quadro.
Os critérios mínimos incluem dor em hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais podem incluir febre, corrimento cervical purulento e elevação de marcadores inflamatórios.
O tratamento ambulatorial geralmente inclui ceftriaxona (IM) + doxiciclina (VO) ± metronidazol (VO). Em casos mais graves ou com falha, pode ser necessário tratamento hospitalar com esquemas endovenosos.
A remoção do DIU é recomendada se não houver melhora clínica em 48-72 horas após o início do tratamento antibiótico para DIP, ou em casos de abscesso tubo-ovariano.
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