PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025
Mulher, 28 anos de idade, sem histórico de comorbidades, procura o serviço de saúde com queixa de secreção vaginal de odor fétido que iniciou há aproximadamente 5 dias. Última menstruação há 10 dias. Refere, também, dor no baixo ventre, principalmente à palpação, e relata relação sexual desprotegida no último mês. Ao exame físico, observa-se secreção vaginal espessa e de cor amarelada, com sinais de edema no colo uterino. O exame especular revela secreção purulenta e a mobilização do colo uterino é dolorosa. A paciente não apresenta febre nem instabilidade hemodinâmica.Especifique os fatores de risco mais comuns para infecção ginecológica:
Dor à mobilização do colo + secreção purulenta = DIP → Fatores de risco: <25 anos e múltiplos parceiros.
A DIP é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior, sendo fortemente associada a comportamentos de risco para ISTs.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) representa um espectro de alterações inflamatórias do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite e abscesso tubo-ovariano. A fisiopatologia envolve a quebra das barreiras cervicais e a ascensão de bactérias, sendo a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis os agentes mais frequentes. O diagnóstico precoce é vital para prevenir sequelas graves como infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Os fatores de risco são essencialmente os mesmos das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A juventude, a multiplicidade de parceiros e o não uso de preservativos são os pilares epidemiológicos. No exame físico, a dor à mobilização do colo é um achado clássico. O tratamento deve ser iniciado empiricamente para cobrir patógenos aeróbios e anaeróbios, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde para evitar a progressão da doença e tratar simultaneamente os parceiros sexuais.
O diagnóstico de DIP é predominantemente clínico. Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à palpação anexial e dor à mobilização do colo uterino (Sinal de Frenkel). Critérios adicionais que aumentam a especificidade incluem febre (>38,3°C), secreção endocervical purulenta ou friabilidade do colo, presença de leucócitos na secreção vaginal, elevação de VHS ou PCR, e comprovação laboratorial de infecção por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis. O tratamento deve ser iniciado empiricamente na presença dos critérios mínimos para evitar sequelas como infertilidade.
Mulheres entre 15 e 25 anos apresentam maior vulnerabilidade biológica e comportamental. Biologicamente, a ectopia cervical (presença de epitélio colunar no ectocérvix) é mais comum nessa faixa etária, facilitando a adesão e ascensão de patógenos como a Clamídia. Comportamentalmente, há maior probabilidade estatística de múltiplos parceiros sexuais e menor consistência no uso de métodos de barreira (preservativos), aumentando a exposição a agentes causadores de ISTs. A imaturidade do sistema imunológico local no trato genital também pode contribuir para a facilitação da infecção ascendente.
Atualmente, o risco de DIP associado ao DIU é considerado baixo e restrito principalmente aos primeiros 20 dias após a inserção, relacionado à técnica do procedimento e à presença de infecção cervical prévia não tratada. Após esse período inicial, o risco em usuárias de DIU é comparável ao de mulheres que não utilizam o dispositivo. O DIU não causa DIP por si só; a infecção depende da exposição a patógenos sexualmente transmissíveis. Portanto, o rastreio de ISTs antes da inserção e a manutenção de práticas sexuais seguras são as principais medidas preventivas, não sendo o DIU um fator de risco isolado crônico.
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