TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Paciente do sexo feminino de 24 anos, previamente saudável, comparece ao pronto atendimento com dor pélvica de início gradual há três dias, associada a febre (38,3 °C) e aumento do fluxo menstrual. Ao exame físico, apresenta dor à palpação em hipogástrio, sem sinais de peritonite. Considerando o quadro clínico, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada são, respectivamente:
Dor pélvica + Febre + Dor à mobilização do colo → DIP: Iniciar ATB empírico precoce.
A DIP é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior. O tratamento deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas como infertilidade e gravidez ectópica.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) representa um desafio na saúde da mulher devido ao seu potencial de causar dor pélvica crônica e infertilidade. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira cervical, permitindo que patógenos como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae ascendam ao endométrio e trompas. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos critérios de Hager, e o tratamento não deve ser postergado. A abordagem ambulatorial é segura para casos leves a moderados (Estágio I de Monif), utilizando a tríade de Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol para cobrir a flora polimicrobiana comum.
Os critérios maiores de Hager incluem dor no hipogástrio, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. O diagnóstico clínico é altamente sensível e autoriza o início imediato do tratamento, especialmente em pacientes jovens e sexualmente ativas, visando reduzir o risco de sequelas tubárias permanentes.
A internação é indicada em casos de gravidez, falta de resposta clínica ao tratamento oral após 72 horas, intolerância a medicações orais, estado geral grave (febre alta, náuseas/vômitos), suspeita de abscesso tubo-ovariano ou necessidade de exploração cirúrgica para diagnóstico diferencial (ex: apendicite).
O esquema preconizado pelo Ministério da Saúde envolve dose única de Ceftriaxona 500mg IM (cobertura para gonococo), associada a Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias (clamídia) e Metronidazol 500mg VO 12/12h por 14 dias (anaeróbios). A adesão ao curso completo é fundamental.
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