HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2025
Uma paciente com 25 anos de idade dá entrada em unidade de urgência queixando-se de dor abdominal baixa, corrimento amarelado com odor desagradável e febre não aferida de início há 5 dias. Ao exame físico, paciente com temperatura axilar 38,2 °C, frequência cardíaca 102 bpm, pressão arterial 114 x 75 mmHg, frequência respiratória 19 irpm, saturação de oxigênio 98%, abdome plano, peristáltico, timpânico, doloroso principalmente em andar inferior e descompressão dolorosa. Ao toque vaginal, presença de dor à mobilização do colo uterino e palpação bimanual de anexos, além da ausência de massas palpáveis em cavidade pélvica. Diante da hipótese diagnóstica provável, qual é o tratamento mais indicado para essa paciente?
DIP com dor à mobilização do colo e anexos, febre e corrimento → Ceftriaxona IM + Doxiciclina VO por 14 dias (ambulatorial, se sem critérios de internação).
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino. O diagnóstico é clínico, baseado em dor abdominal baixa, dor à mobilização do colo e/ou anexos. O tratamento ambulatorial com ceftriaxona e doxiciclina é a escolha para casos sem critérios de internação, visando cobrir os principais patógenos como Chlamydia e Gonorrhoeae.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que resulta da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica, sendo fundamental o diagnóstico e tratamento precoces e adequados. Os agentes etiológicos mais comuns são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, mas bactérias entéricas e anaeróbios também podem estar envolvidos. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor abdominal baixa, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. A presença de febre, corrimento cervical purulento e elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) reforçam a suspeita. Exames de imagem, como ultrassonografia pélvica, podem auxiliar na exclusão de outras patologias e na identificação de complicações como abscessos tubo-ovarianos. O tratamento visa erradicar a infecção, aliviar os sintomas e prevenir sequelas. Para casos ambulatoriais, o esquema recomendado geralmente inclui uma dose única de ceftriaxona intramuscular (para cobrir gonorreia) associada à doxiciclina oral por 14 dias (para cobrir clamídia e outros patógenos). É essencial orientar a paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e o tratamento dos parceiros sexuais para evitar reinfecções.
Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP incluem dor abdominal baixa, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. Critérios adicionais que aumentam a especificidade são febre, corrimento vaginal ou cervical anormal, leucocitose e aumento de PCR/VHS.
A internação é indicada para pacientes com DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano), gestantes, pacientes imunocomprometidas, falha do tratamento ambulatorial, ou quando o diagnóstico é incerto e não se pode excluir uma emergência cirúrgica (ex: apendicite).
A doxiciclina é crucial no tratamento da DIP por sua eficácia contra Chlamydia trachomatis, um dos principais agentes etiológicos. Ela também tem atividade contra outros patógenos atípicos e é administrada por 14 dias para garantir a erradicação da infecção e prevenir complicações a longo prazo.
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