Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
F.T.O., 23 anos, solteira, nuligesta. Refere dor em hipogástrio há 5 dias, leucorreia amarelada, com odor fétido, além de dispareunia de profundidade. Já foi ao ginecologista várias vezes por leucorreia fétida. Chega ao pronto-socorro ginecológico com quadro de TAX 38,3 graus Celsius, e piora da dor pélvica. Em uso regular de ACHO (anticoncepção hormonal oral). Ao exame físico: BEG, corada, hidratada, FC 98 bpm, PA 100 x 60 mmHg, saturação O2: 98%. Abdome: dor à palpação profunda. Dor à descompressão brusca negativa. Especular: secreção vaginal em moderada quantidade, amarelada, bolhosa e fétida. Toque vaginal bimanual: dor à mobilização do colo uterino, anexos não palpáveis.Assinale o diagnóstico mais adequado frente ao quadro clínico exposto.
Dor pélvica + febre + leucorreia fétida + dor mobilização colo → DIP (salpingite/endometrite).
O quadro clínico da paciente, com dor em hipogástrio, febre, leucorreia amarelada bolhosa e fétida, dispareunia de profundidade e dor à mobilização do colo uterino, é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A presença de leucorreia bolhosa e fétida pode indicar tricomoníase associada ou infecção bacteriana mista, comum na DIP.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero (endometrite), as tubas uterinas (salpingite) e os ovários (ooforite), podendo levar à formação de abscessos. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, com consequências graves se não tratada. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em sintomas como dor pélvica, febre, leucorreia e dispareunia, associados a achados do exame físico, como dor à mobilização do colo e dor à palpação anexial. A presença de leucorreia bolhosa e fétida pode sugerir infecção por Trichomonas vaginalis ou outras bactérias anaeróbias, que frequentemente coexistem com infecções por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, os principais agentes etiológicos. O tratamento da DIP é empírico e deve ser iniciado precocemente para prevenir complicações como infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica. A escolha do antibiótico deve cobrir os principais patógenos, incluindo gonococos, clamídias e anaeróbios.
Os principais sintomas incluem dor pélvica, febre, leucorreia anormal (amarelada, fétida), dispareunia de profundidade e dor à mobilização do colo uterino ao exame físico.
A DIP se diferencia da apendicite pela presença de sintomas ginecológicos como leucorreia, dispareunia e dor à mobilização do colo, que não são típicos da apendicite. A apendicite geralmente cursa com dor em fossa ilíaca direita.
Fatores de risco incluem múltiplos parceiros sexuais, história prévia de DIP, uso de DIU (especialmente nos primeiros meses), e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não tratadas, como clamídia e gonorreia.
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