SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Antônia, 36 anos, iniciou com queixas de dor em baixo ventre há cerca de 2 semanas e que pioraram nas últimas 48 horas, desde ontem com febre. Ela utiliza como método contraceptivo o DIU. Refere que a data da última menstruação ocorreu há 3 semanas. Ao exame físico apresenta dor a mobilização de colo de útero, secreção amarelada saindo por orifício cervical externo e temperatura axilar de 38,5ºC. Sobre este caso é correto afirmar que:
DIP exige dor pélvica + ≥1 critério mínimo (dor mobilização colo, dor anexial, dor uterina) + ≥1 critério adicional (febre, leucocitose, VHS/PCR ↑, evidência microbiológica).
Para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), são necessários critérios mínimos (dor pélvica, dor à mobilização do colo, dor anexial ou uterina) e critérios adicionais para aumentar a especificidade. A febre isolada e secreção cervical, sem evidência de leucocitose ou elevação de marcadores inflamatórios, não são suficientes para o diagnóstico definitivo de DIP, embora sugiram uma infecção.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, incluindo endometrite, salpingite, ooforite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica, sendo crucial seu diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado em critérios que visam aumentar a sensibilidade e especificidade. Os critérios mínimos incluem dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor anexial. Para aumentar a especificidade, são considerados critérios adicionais como febre (>38,3°C), secreção cervical purulenta, leucocitose, aumento de VHS ou PCR, e evidência laboratorial de infecção por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis. No caso apresentado, a paciente tem dor pélvica, dor à mobilização do colo e secreção, mas a febre de 38,5ºC é axilar (não oral >38,3ºC) e não há menção de leucocitose ou VHS/PCR elevados, o que impede o diagnóstico formal de DIP pelos critérios mais rigorosos. O tratamento da DIP é geralmente empírico e deve cobrir os principais patógenos (N. gonorrhoeae, C. trachomatis e anaeróbios). A internação hospitalar é indicada em casos graves, falha do tratamento ambulatorial, gravidez, abscesso tubo-ovariano, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto. A remoção do DIU não é formalmente indicada de rotina em casos de DIP leve a moderada, mas deve ser considerada em casos graves ou refratários ao tratamento.
Os critérios mínimos para o diagnóstico de DIP são dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial.
Critérios adicionais incluem temperatura oral > 38,3°C, secreção cervical ou vaginal anormal, aumento da velocidade de hemossedimentação (VHS), aumento da proteína C reativa (PCR), e evidência laboratorial de infecção por gonorreia ou clamídia.
O DIU não aumenta o risco de DIP a longo prazo. O risco é maior apenas no primeiro mês após a inserção, principalmente se houver infecção preexistente por clamídia ou gonorreia. Após esse período, o risco é baixo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo