Abscesso Tubo-Ovariano na DIP: Conduta e Tratamento

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 25 anos apresenta febre e dor intensa no baixo-ventre. Ao toque, refere dor à mobilização do colo uterino. Palpa-se massa anexial. Os exames mostram leucocitose com desvio para a esquerda, VHS e proteína C reativa elevados. A ultrassonografia transvaginal revela imagem cística anexial de conteúdo espesso medindo 4 cm de diâmetro. A conduta imediata é:

Alternativas

  1. A) Antibiótico aerobicida e anaerobicida parenteral.
  2. B) Laparotomia exploradora.
  3. C) Laparoscopia cirúrgica.
  4. D) Drenagem por culdotomia.

Pérola Clínica

DIP grave com massa anexial (abscesso tubo-ovariano) → ATB parenteral de amplo espectro (aeróbios + anaeróbios) como conduta imediata.

Resumo-Chave

A presença de febre, dor pélvica intensa, dor à mobilização do colo e uma massa anexial em ultrassonografia sugere um abscesso tubo-ovariano, uma complicação grave da Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A conduta imediata é a internação e o início de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo aeróbios e anaeróbios, para controlar a infecção e tentar a resolução clínica antes de considerar intervenções cirúrgicas.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O abscesso tubo-ovariano (ATO) é uma complicação grave da DIP, caracterizado pela formação de uma massa inflamatória e purulenta na região anexial, com alto risco de ruptura e sepse. A fisiopatologia da DIP geralmente envolve a ascensão de microrganismos da vagina e colo uterino (principalmente Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae) para o trato genital superior. A presença de febre, dor intensa no baixo-ventre, dor à mobilização do colo uterino e uma massa anexial palpável, juntamente com marcadores inflamatórios elevados (leucocitose, VHS, PCR), são altamente sugestivos de ATO. A ultrassonografia transvaginal é fundamental para confirmar a presença e avaliar o tamanho do abscesso. A conduta imediata para um abscesso tubo-ovariano é a internação hospitalar e o início de antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo tanto bactérias aeróbias quanto anaeróbias. Regimes comuns incluem cefoxitina ou clindamicina mais gentamicina. A maioria dos abscessos menores que 9-10 cm pode ser resolvida com sucesso apenas com antibióticos. A intervenção cirúrgica (drenagem ou salpingooforectomia) é reservada para casos de ruptura, falha do tratamento clínico ou abscessos muito grandes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais que aumentam a especificidade são febre, leucocitose, VHS/PCR elevados e evidência de infecção por clamídia/gonorreia.

Quando a antibioticoterapia parenteral é indicada para DIP ou abscesso tubo-ovariano?

A antibioticoterapia parenteral é indicada para DIP grave, falha do tratamento oral, incapacidade de tolerar medicação oral, gestação, imunodeficiência, ou suspeita de abscesso tubo-ovariano, devido ao risco de sepse e complicações.

Quais são as opções de tratamento cirúrgico para abscesso tubo-ovariano e quando são indicadas?

A drenagem (por culdotomia, laparoscopia ou laparotomia) ou salpingooforectomia são indicadas em casos de abscesso roto, falha do tratamento clínico com antibióticos após 48-72 horas, ou abscessos muito grandes (>9-10 cm) que não respondem à terapia medicamentosa.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo