Doença Inflamatória Pélvica (DIP): Diagnóstico e Tratamento

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2022

Enunciado

DEM, 32 anos, vem ao pronto atendimento com queixa de dor em baixo ventre, com piora há uma semana. Nega atraso menstrual, em uso de anticoncepcional oral hormonal. Encontra-se afebril, corada com DB negativo. Ao exame especular: discreta secreção vaginal. Toque vaginal doloroso, sem massas palpáveis. Hemograma, urina 1 e ultrassom sem alterações. Hipótese e conduta:

Alternativas

  1. A) Cervicite e antibioticoterapia domiciliar.
  2. B) DIP e internação.
  3. C) DIP e antibioticoterapia domiciliar.
  4. D) Cervicite e internação.
  5. E) Abdome agudo e laparoscopia.

Pérola Clínica

Dor pélvica + toque doloroso + secreção vaginal → DIP, mesmo com exames normais. Conduta inicial: ATB domiciliar.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é um diagnóstico clínico e deve ser suspeitada em mulheres com dor pélvica, dor à mobilização do colo e/ou dor anexial, mesmo com exames complementares normais. A presença de secreção vaginal discreta reforça a suspeita. O tratamento inicial é ambulatorial, com antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, resultando em inflamação do útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e/ou dor à palpação anexial, frequentemente acompanhada de secreção vaginal ou cervical. É crucial que o médico esteja atento aos sinais e sintomas, pois exames complementares como hemograma e ultrassonografia podem ser normais em casos leves a moderados, não excluindo o diagnóstico. A história de múltiplos parceiros sexuais, ISTs prévias e uso de DIU são fatores de risco importantes. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir sequelas a longo prazo. A conduta inicial para a maioria dos casos de DIP é a antibioticoterapia ambulatorial de amplo espectro, visando cobrir os principais patógenos (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias). A internação é reservada para casos mais graves, como gestantes, pacientes com abscesso tubo-ovariano, falha do tratamento ambulatorial ou quando há suspeita de outras condições cirúrgicas. A escolha do esquema antibiótico deve seguir as diretrizes atuais, garantindo a cobertura adequada e a adesão do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de DIP?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais podem incluir febre, secreção vaginal/cervical anormal e elevação de PCR/VHS.

Quando a internação é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para gestantes, pacientes com DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, abscesso tubo-ovariano), falha do tratamento ambulatorial, imunodeficiência ou quando o diagnóstico é incerto e não se pode excluir emergência cirúrgica.

Qual a antibioticoterapia domiciliar recomendada para DIP?

Esquemas comuns incluem ceftriaxona IM dose única + doxiciclina oral por 14 dias, com ou sem metronidazol oral por 14 dias, dependendo da cobertura para anaeróbios.

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