DII Pediátrica: Diagnóstico de Dor Abdominal e Artrite

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 9 anos é atendida com dor abdominal e diarreia há três semanas. Refere que a dor abdominal se dá em cólicas, havendo períodos sem dor, porém a mesma vem aumentando de intensidade. Sobre as evacuações, relata serem de consistência líquida, por vezes com presença de sangue vivo. Há seis semanas, apresenta dor em joelho esquerdo e cotovelo direito, com piora pela manhã ao acordar. Ao exame físico, a criança está em regular estado geral, emagrecida, referindo dor à palpação profunda de abdômen, sem sinal de irritação peritoneal, apresentando edema de joelho esquerdo e cotovelo direito, com aumento da temperatura local e limitação à movimentação passiva e ativa. Os exames complementares mostram anemia leve normocítica, aumento de proteína C reativa no sangue e aumento de calprotectina nas fezes. A coprocultura é negativa. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) doença inflamatória intestinal
  2. B) porfiria aguda intermitente
  3. C) artrite idiopática juvenil
  4. D) doença celíaca

Pérola Clínica

DII pediátrica: dor abdominal crônica + diarreia sanguinolenta + perda peso + artrite + calprotectina ↑.

Resumo-Chave

A combinação de sintomas gastrointestinais crônicos (dor abdominal, diarreia sanguinolenta, perda de peso) com manifestações extraintestinais (artrite) e marcadores inflamatórios elevados (PCR, calprotectina fecal) em uma criança é altamente sugestiva de Doença Inflamatória Intestinal, mesmo na ausência de sinais de irritação peritoneal.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) em pediatria, que engloba a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, é uma condição crônica e complexa, com incidência crescente. É crucial para o residente reconhecer suas manifestações, que podem ser tanto gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, sangramento, perda de peso) quanto extraintestinais (artrite, uveíte, eritema nodoso), impactando significativamente o crescimento e desenvolvimento da criança. O diagnóstico da DII exige alta suspeição clínica, especialmente em casos de sintomas persistentes e inespecíficos. A investigação inclui exames laboratoriais (hemograma, PCR, albumina), marcadores inflamatórios fecais como a calprotectina (elevada na inflamação intestinal), e exames de imagem e endoscopia com biópsias para confirmação. A exclusão de causas infecciosas é fundamental antes de firmar o diagnóstico. O tratamento da DII é individualizado e visa induzir e manter a remissão, promover o crescimento e desenvolvimento adequados e melhorar a qualidade de vida. Envolve medicamentos como corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos, além de suporte nutricional e, em alguns casos, cirurgia. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para o manejo da doença e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Doença Inflamatória Intestinal em crianças?

Em crianças, a DII manifesta-se com dor abdominal crônica, diarreia (muitas vezes sanguinolenta), perda de peso, atraso no crescimento e, frequentemente, manifestações extraintestinais como artrite, lesões cutâneas ou oculares.

Qual o papel da calprotectina fecal no diagnóstico de DII?

A calprotectina fecal é um marcador inflamatório não invasivo que indica inflamação intestinal. Níveis elevados são sugestivos de DII e podem ser usados para triagem e monitoramento da atividade da doença.

Como diferenciar DII de outras causas de dor abdominal crônica e diarreia em pediatria?

A diferenciação envolve a cronicidade dos sintomas, presença de perda de peso, manifestações extraintestinais, elevação de marcadores inflamatórios (PCR, calprotectina) e exclusão de causas infecciosas (coprocultura negativa) ou outras condições como doença celíaca.

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