HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Em relação às doenças inflamatórias intestinais, marque a alternativa correta:
Corticosteroides sistêmicos são para indução de remissão em DII, não para manutenção devido aos efeitos adversos.
Corticosteroides sistêmicos são eficazes na indução da remissão em surtos agudos de Doença Inflamatória Intestinal (DII), tanto na Retocolite Ulcerativa (RCUI) quanto na Doença de Crohn. No entanto, devido aos seus múltiplos efeitos adversos a longo prazo, como osteoporose, diabetes e supressão adrenal, eles não são recomendados para terapia de manutenção. Para a manutenção da remissão, utilizam-se imunomoduladores e agentes biológicos.
As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), que incluem a Retocolite Ulcerativa (RCUI) e a Doença de Crohn (DC), são condições crônicas e recidivantes que afetam o trato gastrointestinal. Caracterizadas por inflamação crônica, sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos. A prevalência das DII tem aumentado globalmente, tornando seu diagnóstico e manejo um desafio significativo na prática clínica, especialmente para gastroenterologistas e clínicos gerais. O diagnóstico das DII baseia-se em uma combinação de achados clínicos, laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e histopatológicos. Enquanto a RCUI tipicamente afeta o cólon de forma contínua e superficial, a DC pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, de forma segmentar e transmural, com formação de granulomas não caseosos. A diferenciação entre as duas é crucial para o planejamento terapêutico, embora em alguns casos (colite indeterminada) isso possa ser difícil. Sintomas como dor abdominal, diarreia, sangramento retal, perda de peso e anemia devem levantar a suspeita. O tratamento das DII visa induzir e manter a remissão, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Os corticosteroides sistêmicos são potentes agentes anti-inflamatórios, eficazes na indução da remissão em surtos agudos. No entanto, devido aos seus efeitos adversos significativos com o uso prolongado, como osteoporose, diabetes, hipertensão e supressão adrenal, eles não são indicados como terapia de manutenção. Para a manutenção da remissão, utilizam-se imunomoduladores (azatioprina, mercaptopurina, metotrexato) e agentes biológicos (anti-TNF, anti-integrinas), que atuam de forma mais específica e com perfil de segurança mais favorável a longo prazo.
A histopatologia pode sugerir o diagnóstico, mas raramente é diagnóstica de certeza por si só. A Retocolite Ulcerativa tipicamente apresenta inflamação contínua e superficial da mucosa, enquanto a Doença de Crohn tem inflamação transmural, granulomas não caseosos e acometimento em saltos.
O acometimento transmural é uma característica da Doença de Crohn, onde a inflamação se estende por todas as camadas da parede intestinal. Isso pode levar a complicações como fístulas, abscessos e estenoses, que são menos comuns na Retocolite Ulcerativa.
Perda de peso e anemia são mais comuns na Doença de Crohn devido ao acometimento de qualquer parte do trato gastrointestinal (incluindo intestino delgado, onde ocorre absorção de nutrientes), inflamação crônica, má absorção e sangramento, que são frequentemente mais extensos e graves do que na Retocolite Ulcerativa, que geralmente se limita ao cólon.
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