DII: Diagnóstico de Diarreia Crônica e Manifestações

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um homem com 18 anos é encaminhado a um hospital secundário para investigação de diarreia de evolução arrastada nos últimos 3 meses, caracterizada por vários episódios diários de evacuação sanguinolenta, acompanhados de tenesmo e cólicas abdominais. Em atendimento, ele relata ainda anorexia e dores articulares de caráter migratório, mas nega episódios febris. Refere viagem anterior ao início do quadro para local com baixas condições sanitárias, mas afirma ter tomado cuidado com tudo o que comeu e bebeu. Relata também ter feito uso de antibióticos e anti-inflamatórios para tratamento de suposta infecção cutânea, nos últimos 3 meses, sem melhora clínica.Ao exame físico, apresenta-se: hipocorado, hidratado, eupneico e afebril, com discretos sinais de artrite em grandes articulações dos membros superiores, de forma assimétrica. Verifica-se que, na superfície anterior dos membros inferiores, o paciente apresenta lesões nodulares subcutâneas quentes e dolorosas, com superfície plana e eritematosa, com extensão de cerca de 1 a 5 cm de diâmetro.Diante desse caso, para confirmar a principal hipótese diagnóstica, a conduta mais adequada é realizar

Alternativas

  1. A) colonoscopia associada à histopatologia de biópsia da mucosa intestinal.
  2. B) sorologia anti-HIV e pesquisa de Isospora belli e Cryptosporidium parvum nas fezes.
  3. C) pesquisa de toxinas A e B e detecção de ácidos nucleicos de Clostridium difficile nas fezes.
  4. D) pesquisa de antígenos ou exame direto para trofozoítas de Entamoeba hystolitica nas fezes. 

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta crônica + tenesmo + artrite + eritema nodoso → DII. Confirmar com colonoscopia + biópsia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia sanguinolenta arrastada, tenesmo, cólicas, dores articulares migratórias e lesões de eritema nodoso é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Intestinal (DII). A colonoscopia com biópsia da mucosa intestinal é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e diferenciar entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Intestinal (DII), que engloba a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, é uma condição crônica e idiopática caracterizada pela inflamação do trato gastrointestinal. É um diagnóstico desafiador, especialmente em apresentações atípicas ou com manifestações extraintestinais, sendo um tema de grande relevância para residentes em Gastroenterologia, Clínica Médica e Cirurgia. A epidemiologia mostra um aumento da incidência em diversas partes do mundo, afetando predominantemente adultos jovens. A fisiopatologia da DII envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, disbiose da microbiota intestinal e uma resposta imune desregulada. Os sintomas clássicos incluem diarreia crônica (muitas vezes com sangue e muco), dor abdominal, tenesmo e perda de peso. No entanto, a presença de manifestações extraintestinais, como artrite migratória e eritema nodoso, como descrito no caso, é um forte indicativo de DII e deve alertar o médico para a necessidade de uma investigação aprofundada, diferenciando-a de outras causas de diarreia crônica, como infecções ou síndromes de má absorção. Para confirmar a hipótese diagnóstica de DII, a colonoscopia com biópsia da mucosa intestinal é o exame padrão-ouro. Este procedimento permite a avaliação macroscópica das lesões e a coleta de amostras para análise histopatológica, que é fundamental para caracterizar o tipo e a extensão da inflamação, além de excluir outras patologias. O tratamento da DII é complexo e visa induzir e manter a remissão, controlar os sintomas e prevenir complicações, envolvendo medicamentos (aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores, biológicos) e, em alguns casos, cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Inflamatória Intestinal (DII)?

Os principais sintomas da DII incluem diarreia crônica (muitas vezes sanguinolenta), dor abdominal, cólicas, tenesmo, perda de peso, febre e fadiga. A apresentação pode variar entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, e as manifestações extraintestinais são comuns.

Quais manifestações extraintestinais podem estar associadas à DII?

As manifestações extraintestinais da DII são diversas e podem afetar vários sistemas, incluindo articulações (artrite, espondilite), pele (eritema nodoso, pioderma gangrenoso), olhos (uveíte, epiesclerite), fígado e vias biliares (colangite esclerosante primária) e boca (estomatite aftosa).

Por que a colonoscopia com biópsia é crucial para o diagnóstico de DII?

A colonoscopia permite a visualização direta da mucosa intestinal, identificando alterações inflamatórias, úlceras e pseudopólipos. A biópsia é essencial para a análise histopatológica, que confirma a inflamação crônica, avalia a extensão da doença e ajuda a diferenciar entre Doença de Crohn (inflamação transmural, granulomas) e Retocolite Ulcerativa (inflamação superficial, limitada ao cólon).

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