Doença Inflamatória Intestinal: Diagnóstico e Sinais

PMF - Prefeitura Municipal de Franca (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, 19 anos, masculino, com queixa de perda ponderal e diarreia há 6 meses, com fezes líquidas sanguinolentas (sem coágulos) e eliminação de muco. Refere ainda dor abdominal em baixo ventre, sem queixas urinárias. Nega outros sintomas, refere tem apetite, porém se alimenta pouco devido ao grande número de evacuações, que muitas vezes fazem com que ele acorde a noite para ir ao banheiro. Ao exame físico, foi notória a presença de secreção mucoide e sanguinolenta no dedo de luva após toque retal. Escolha abaixo a conduta inicial para diagnóstico do caso e associação com a principal hipótese diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada prova terapêutica com albendazol e metronidazol, visando diagnóstico de parasitose;
  2. B) Deve ser solicitada colonoscopia, visando diagnóstico anatomopatológico de Doença Inflamatória Intestinal;
  3. C) Devem ser solicitados exames laboratoriais (hemograma, função hepática, função renal, pesquisa de sangue oculto nas fezes visando diagnóstico de neoplasia de cólon;
  4. D) A tomografia de abdome deve ser solicitada por se tratar de forte suspeita diagnóstica de Linfoma de Grandes células de Reto.

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta crônica + perda ponderal + muco no toque retal → DII, colonoscopia diagnóstica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de diarreia crônica sanguinolenta, perda ponderal e achados no toque retal são altamente sugestivos de Doença Inflamatória Intestinal (DII). A colonoscopia com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico e diferenciação entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Intestinal (DII) engloba a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, condições crônicas e idiopáticas que causam inflamação do trato gastrointestinal. A DII afeta predominantemente adultos jovens, com um pico de incidência entre 15 e 30 anos, e sua prevalência tem aumentado globalmente. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações graves, como estenoses, fístulas, megacólon tóxico e aumento do risco de câncer colorretal. A fisiopatologia da DII envolve uma interação complexa entre fatores genéticos, ambientais, microbioma intestinal e uma resposta imune desregulada. Clinicamente, os pacientes apresentam diarreia crônica (frequentemente com sangue e muco), dor abdominal, perda ponderal, fadiga e, em alguns casos, manifestações extraintestinais. O toque retal pode revelar secreção mucoide e sanguinolenta, especialmente na retocolite ulcerativa. A suspeita deve ser alta em pacientes jovens com sintomas persistentes e progressivos. A conduta diagnóstica inicial para DII inclui exames laboratoriais (hemograma, PCR, calprotectina fecal) e, crucialmente, a colonoscopia com ileoscopia e biópsias múltiplas. A colonoscopia permite avaliar a extensão e a gravidade da inflamação, além de diferenciar entre Doença de Crohn (inflamação transmural, lesões salteadas) e Retocolite Ulcerativa (inflamação contínua, limitada à mucosa e submucosa, começando no reto). O tratamento visa induzir e manter a remissão, utilizando medicamentos como aminosalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos, adaptados à gravidade e extensão da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Doença Inflamatória Intestinal (DII)?

Os sintomas mais comuns incluem diarreia crônica (muitas vezes sanguinolenta), dor abdominal, perda de peso, fadiga e, em alguns casos, manifestações extraintestinais como artralgia e lesões cutâneas.

Por que a colonoscopia é crucial no diagnóstico da DII?

A colonoscopia permite a visualização direta da mucosa intestinal, a identificação de lesões características e a coleta de biópsias para análise histopatológica, que é essencial para confirmar o diagnóstico e diferenciar entre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.

Como diferenciar a DII de outras causas de diarreia crônica?

A DII se diferencia por seu caráter inflamatório crônico, presença de sangue e muco nas fezes, perda ponderal e achados endoscópicos e histopatológicos específicos. Outras causas, como parasitoses ou síndrome do intestino irritável, geralmente não apresentam o mesmo padrão de inflamação e sangramento.

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