Diarreia Crônica: DII vs. SII e Sinais de Alarme

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente, de 25 anos de idade, apresenta queixa de dor abdominal difusa do tipo cólica, poliartralgia e diarreia com cerca de 10 evacuações por dia, inclusive durante a noite, fezes com muco e, eventualmente, sangue e perda de cerca de 5 kg no período. Os sintomas surgiram há 2 meses. O paciente associa o início do quadro a uma crise ansiosa devido a problemas emocionais. Ele nega contato com alimentos possivelmente contaminados ou uso de qualquer medicamento precedendo o quadro.Sobre os dados acima, assinale a alternativa CORRETA

Alternativas

  1. A) Este paciente apresenta diarreia do tipo alta (delgado), devido à perda de peso.
  2. B) Primeira hipótese para explicar esse quadro é a Síndrome do Intestino Irritável, devido à idade do paciente e o quadro ter iniciado após uma crise ansiosa.
  3. C) O exame de Calprotectina fecal elevado pode excluir a presença de Colite Ulcerativa.
  4. D) É esperado encontrar na colonoscopia desse paciente: inflamação colônica superficial difusa, pseudopólipos e úlceras rasas.
  5. E) A presença de poliartralgia não tem relevância nesse quadro de diarreia crônica.

Pérola Clínica

Diarreia crônica com sangue, perda de peso e poliartralgia em jovem → DII (Colite Ulcerativa) vs. Síndrome do Intestino Irritável.

Resumo-Chave

A presença de diarreia noturna, sangue nas fezes, perda de peso e manifestações extraintestinais como poliartralgia em um paciente jovem sugere fortemente uma Doença Inflamatória Intestinal (DII), como a Colite Ulcerativa, e não Síndrome do Intestino Irritável, que não cursa com esses sinais de alarme.

Contexto Educacional

A diferenciação entre Doença Inflamatória Intestinal (DII), como a Colite Ulcerativa, e a Síndrome do Intestino Irritável (SII) é um desafio comum na prática clínica. Enquanto a SII é um distúrbio funcional caracterizado por dor abdominal e alteração do hábito intestinal sem inflamação ou dano estrutural, a DII é uma condição inflamatória crônica com potencial de complicações graves. O paciente do caso apresenta múltiplos 'sinais de alarme' que afastam a hipótese de SII e direcionam para DII: diarreia noturna, sangramento nas fezes, perda de peso significativa e poliartralgia (uma manifestação extraintestinal comum da DII). A associação com ansiedade pode ser um gatilho, mas não exclui a doença orgânica. A Calprotectina fecal é um biomarcador útil para rastreamento, pois níveis elevados indicam inflamação e a necessidade de investigação endoscópica. Na Colite Ulcerativa, a colonoscopia tipicamente mostra inflamação contínua da mucosa, começando no reto e estendendo-se proximalmente, com eritema, edema, friabilidade, úlceras rasas e, em casos crônicos, pseudopólipos. O manejo da DII envolve medicamentos imunossupressores e biológicos, e em alguns casos, cirurgia, enquanto a SII é tratada com dieta, manejo do estresse e sintomáticos.

Perguntas Frequentes

Quais sinais e sintomas sugerem Doença Inflamatória Intestinal em vez de Síndrome do Intestino Irritável?

Sinais de alarme como perda de peso inexplicada, diarreia noturna, sangramento retal, anemia, febre e manifestações extraintestinais (poliartralgia, lesões cutâneas) são indicativos de DII e não de SII.

Qual o papel da Calprotectina fecal no diagnóstico diferencial da diarreia crônica?

A Calprotectina fecal é um marcador inflamatório que, quando elevado, sugere inflamação intestinal orgânica (como DII) e ajuda a diferenciar de condições funcionais como a SII, onde geralmente está normal.

Quais achados colonoscópicos são esperados na Colite Ulcerativa?

Na Colite Ulcerativa, a colonoscopia tipicamente revela inflamação colônica superficial difusa e contínua, que se inicia no reto e se estende proximalmente, podendo apresentar pseudopólipos e úlceras rasas.

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