SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2023
Qual dos seguintes diagnósticos é o MAIS PROVÁVEL para um paciente do sexo masculino de 24 anos com história de 6 meses de dor no joelho esquerdo, perda de peso, diarreia, eritema nodular, úlcera oral, associado a anemia microcítica, hipoalbuminemia, provas inflamatórias elevadas, níveis séricos de ácido úrico dentro da normalidade e teste de Lyme negativo; líquido da articulação com sinais parâmetros inflamatórios, sem cristais ou microorganismos?
Artrite + sintomas gastrointestinais crônicos + manifestações cutâneas/orais + marcadores inflamatórios ↑ → Doença Inflamatória Intestinal.
A Doença Inflamatória Intestinal (DII) pode se manifestar com uma ampla gama de sintomas extraintestinais, incluindo artrite, eritema nodoso e úlceras orais, que podem preceder ou acompanhar os sintomas gastrointestinais. A presença de anemia, hipoalbuminemia e provas inflamatórias elevadas reforça a natureza sistêmica da doença.
A Doença Inflamatória Intestinal (DII), que engloba a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, é uma condição crônica e inflamatória do trato gastrointestinal. Sua importância clínica reside não apenas nos sintomas intestinais, mas também na ampla gama de manifestações extraintestinais que podem afetar até 40% dos pacientes, muitas vezes precedendo o diagnóstico intestinal. O reconhecimento precoce dessas manifestações é crucial para um diagnóstico e manejo adequados, evitando morbidade significativa. A fisiopatologia das manifestações extraintestinais é complexa, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e ambientais. A artrite enteropática, por exemplo, é uma das manifestações mais comuns, caracterizada por dor e inflamação articular. O diagnóstico baseia-se na correlação dos sintomas articulares e sistêmicos com a evidência de inflamação intestinal, utilizando exames laboratoriais (marcadores inflamatórios, anemia), de imagem e endoscopia com biópsias. A suspeita deve surgir em pacientes jovens com artrite inexplicada, acompanhada de sintomas como diarreia crônica, perda de peso, febre, lesões cutâneas ou orais. O tratamento das manifestações extraintestinais geralmente está ligado ao controle da inflamação intestinal subjacente, utilizando medicamentos como aminossalicilatos, corticosteroides, imunomoduladores e agentes biológicos. O prognóstico varia, mas um manejo multidisciplinar é essencial para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações. Para a prova, é fundamental saber identificar a DII por suas manifestações atípicas e sistêmicas, além dos sintomas gastrointestinais clássicos.
As manifestações extraintestinais da DII podem afetar diversos sistemas, sendo as mais comuns as articulares (artrite periférica, espondilite), cutâneas (eritema nodoso, pioderma gangrenoso), oculares (uveíte, epiesclerite) e hepatobiliares (colangite esclerosante primária).
A artrite enteropática pode ser periférica (oligoarticular, assimétrica, em grandes articulações, não deformante) ou axial (sacroileíte, espondilite). Diferencia-se pela associação com sintomas gastrointestinais, marcadores inflamatórios elevados e resposta ao tratamento da doença intestinal subjacente.
Além de exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS, albumina), a investigação inclui exames de imagem do trato gastrointestinal (colonoscopia com biópsias, enterografia por TC/RM) e, dependendo da manifestação, exames específicos como radiografias articulares ou avaliação oftalmológica.
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