SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menina, 12 anos de idade, é levada ao ambulatório pela mãe que relatou ter observado cansaço frequente e perda de peso nas últimas semanas, tendo reduzido suas atividades. Além disso, a menor tem referido dor abdominal recorrente, principalmente no abdome inferior à direita, com diarreia, por vezes com sangue. Há também episódios de febre baixa e, às vezes, dor em articulações. Ao exame, observa-se palidez cutâneo mucosa; refere dor à palpação do quadrante inferior direito do abdome. Considerando o caso clínico, indique a causa mais provável para os sintomas apresentados:
Dor em QID + Perda de Peso + Diarreia Sanguinolenta + Artralgia → Doença Inflamatória Intestinal.
A tríade de dor abdominal, diarreia crônica e perda de peso em adolescentes sugere DII, frequentemente acompanhada de sintomas extraintestinais como febre e artralgia.
A Doença Inflamatória Intestinal (DII) em pediatria tem incidência crescente e apresenta particularidades em relação ao adulto, como maior gravidade fenotípica e impacto direto no crescimento e desenvolvimento puberal. A Doença de Crohn é a forma mais comum nessa faixa etária, caracterizando-se por uma resposta imune desregulada em indivíduos geneticamente predispostos, desencadeada por fatores ambientais e alterações na microbiota intestinal. O quadro clínico descrito na questão — dor em quadrante inferior direito, diarreia com sangue, perda de peso e artralgia — é clássico para o acometimento ileocecal da Doença de Crohn.\n\nO diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações como estenoses e fístulas, além de garantir a recuperação nutricional. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, utilizando desde terapia nutricional exclusiva (especialmente na DC pediátrica) até imunossupressores e agentes biológicos (anti-TNF). O reconhecimento das manifestações extraintestinais, como a dor articular mencionada, é crucial, pois elas podem preceder os sintomas gastrointestinais em meses ou anos, desafiando o raciocínio clínico inicial.
Os sinais de alerta (red flags) para Doença Inflamatória Intestinal (DII) em crianças e adolescentes incluem: diarreia crônica (especialmente se noturna ou com sangue), dor abdominal recorrente que desperta o paciente, perda de peso não intencional, desaceleração do crescimento linear (baixa estatura), atraso puberal, febre de origem indeterminada e manifestações extraintestinais como artrites, uveítes ou eritema nodoso. A presença de doença perianal (fístulas ou plicomas exuberantes) é altamente sugestiva de Doença de Crohn. Diferente de quadros funcionais, a DII apresenta marcadores inflamatórios elevados e sinais de desnutrição ou anemia no exame físico.
A Doença de Crohn (DC) pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, com lesões 'salteadas' e acometimento transmural, frequentemente envolvendo o íleo terminal e o ceco (causando dor no quadrante inferior direito). Já a Retocolite Ulcerativa (RCU) é restrita ao cólon, com acometimento contínuo e ascendente a partir do reto, limitando-se à mucosa. Clinicamente, a RCU apresenta mais frequentemente colite hemorrágica exuberante, enquanto a DC manifesta-se mais com dor abdominal, má absorção, fístulas e estenoses. O diagnóstico definitivo requer colonoscopia com biópsias seriadas e exames de imagem do intestino delgado.
A calprotectina fecal é um biomarcador de inflamação intestinal extremamente útil na triagem de DII. Ela é uma proteína liberada pelos neutrófilos que migram para a mucosa intestinal inflamada. Níveis elevados de calprotectina têm alto valor preditivo negativo, o que ajuda a diferenciar doenças inflamatórias orgânicas de distúrbios funcionais, como a Síndrome do Intestino Irritável, onde a calprotectina costuma estar normal. Na pediatria, é uma ferramenta não invasiva valiosa para decidir quais pacientes necessitam progredir para exames endoscópicos invasivos e também para monitorar a resposta ao tratamento e prever recidivas.
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