FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2024
Lactente de 5 semanas de idade que ainda não excretou mecônio e apresenta sinais de constipação que se manifestaram após o 1° mês de vida. Com base nesses sintomas, dadas as seguintes possíveis condições, é possível considerar:
Lactente >1 mês com constipação e atraso na eliminação de mecônio → suspeitar Doença de Hirschsprung.
A Doença de Hirschsprung, ou megacólon aganglionar congênito, é caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso do intestino, resultando em um segmento intestinal funcionalmente obstruído. O atraso na eliminação do mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida é um sinal cardinal, mas a constipação pode se manifestar mais tardiamente em casos de segmento ultracurto ou curto.
A Doença de Hirschsprung, ou megacólon aganglionar congênito, é uma anomalia congênita do desenvolvimento do sistema nervoso entérico, caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) em um segmento variável do intestino distal. Afeta cerca de 1 em cada 5.000 nascidos vivos, sendo mais comum em meninos. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para evitar complicações graves como a enterocolite de Hirschsprung, que pode ser fatal. A fisiopatologia envolve a falha na migração craniocaudal dos neuroblastos da crista neural durante a embriogênese, resultando em um segmento intestinal aganglionar que permanece em contração tônica, impedindo a progressão do conteúdo fecal e causando uma obstrução funcional. A suspeita diagnóstica surge em lactentes com atraso na eliminação do mecônio (após 24-48h de vida), constipação crônica desde o nascimento, distensão abdominal e, em casos mais graves, vômitos biliares e enterocolite. O exame físico pode revelar ampola retal vazia. O tratamento é cirúrgico, visando a ressecção do segmento aganglionar e a anastomose do intestino ganglionar ao ânus (pull-through). O prognóstico é geralmente bom após a cirurgia, mas complicações como enterocolite, incontinência fecal ou constipação persistente podem ocorrer. É crucial diferenciar de constipação funcional, que é muito mais comum, mas não apresenta os sinais de alerta orgânicos da Doença de Hirschsprung.
Os principais sinais de alerta incluem atraso na eliminação do mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, constipação crônica desde o nascimento, distensão abdominal e vômitos biliares.
O diagnóstico definitivo é realizado por biópsia retal, que demonstra a ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso. Outros exames incluem enema opaco e manometria anorretal.
O atraso na eliminação de mecônio é um achado clássico e altamente sugestivo de Hirschsprung, ocorrendo em mais de 90% dos casos. É um indicativo de obstrução funcional do trato gastrointestinal inferior.
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