Doença de Hirschsprung: Diagnóstico em Lactentes

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Menina de sete meses foi levada à consulta pediátrica com história de retenção fecal, evacuações dolorosas com eliminação de fezes endurecidas em cíbalos. A mãe afirma que desde o segundo mês de vida ela apresenta dificuldade para evacuar. Afirma ter iniciado alimentação complementar desde os 6 meses de vida de forma adequada. Refere que faz uso de laxativo oral há quatro semanas, diariamente, sem obter melhora do quadro. Qual o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Doença de Hirschsprung.
  2. B) Constipação intestinal funcional.
  3. C) Pseudoconstipação intestinal.
  4. D) Disquezia do lactente.

Pérola Clínica

Constipação grave desde o nascimento, refratária a laxativos, com fezes em cíbalos → suspeitar Doença de Hirschsprung.

Resumo-Chave

A Doença de Hirschsprung deve ser fortemente suspeitada em lactentes com constipação grave e persistente desde o período neonatal, que não melhora com medidas dietéticas ou laxativos, e que apresentam fezes em cíbalos ou dificuldade para evacuar.

Contexto Educacional

A Doença de Hirschsprung (DH), ou megacólon congênito, é uma malformação congênita do intestino grosso caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) em um segmento variável do cólon, resultando em um segmento aganglionar funcionalmente obstruído. Isso impede o relaxamento e a propulsão fecal, levando à constipação crônica e dilatação do cólon proximal. É uma causa orgânica importante de constipação em lactentes. A epidemiologia da DH é de aproximadamente 1 em 5.000 nascidos vivos, sendo mais comum em meninos. A apresentação clínica clássica é a falha na eliminação do mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, seguida por constipação grave e persistente que se inicia no período neonatal. Outros sintomas incluem distensão abdominal, vômitos biliares e, em casos graves, enterocolite de Hirschsprung, uma complicação potencialmente fatal. A história de constipação desde o segundo mês de vida, refratária a laxativos, como no caso apresentado, é altamente sugestiva de DH. O diagnóstico da DH envolve a suspeita clínica, exames de imagem como enema opaco (que pode mostrar a zona de transição e o cólon dilatado proximalmente) e, fundamentalmente, a biópsia retal. A biópsia retal é o padrão-ouro, demonstrando a ausência de células ganglionares. A manometria anorretal, que avalia o reflexo inibitório retoanal, também é útil. O tratamento é cirúrgico, consistindo na ressecção do segmento aganglionar e anastomose do cólon ganglionar ao ânus.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para Doença de Hirschsprung em lactentes?

Sinais de alerta incluem ausência de eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, constipação grave e persistente desde o período neonatal, distensão abdominal, vômitos e falha de crescimento, além de fezes em cíbalos.

Como a Doença de Hirschsprung se diferencia da constipação funcional em lactentes?

A Doença de Hirschsprung geralmente se manifesta com constipação desde o período neonatal e é refratária ao tratamento convencional, enquanto a constipação funcional costuma ter início mais tardio e responde a mudanças dietéticas e laxativos.

Qual o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de Doença de Hirschsprung?

O exame padrão-ouro para confirmar a Doença de Hirschsprung é a biópsia retal com pesquisa de células ganglionares, que revela a ausência de gânglios no plexo mioentérico e submucoso.

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