USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Lactente masculino de 9 meses, foi admitido na unidade de pronto atendimento com história de distensão abdominal e febre há 4 dias. Associado ao quadro, refere parada da eliminação de gases e fezes. Antecedentes: nascido a termo, sem comorbidades. Refere atraso na eliminação do mecônio e constipação intestinal desde o período neonatal. Ao exame físico: regular estado geral, desidratado + 1/+4, febril. Abdome: distendido, timpânico à percussão e tenso à palpação. A radiografia de abdome é mostrada na figura. Qual a conduta imediata mais adequada neste momento?
Lactente com atraso mecônio + constipação crônica + distensão abdominal → suspeitar Hirschsprung → conduta inicial: lavagem intestinal.
A Doença de Hirschsprung deve ser suspeitada em lactentes com atraso na eliminação do mecônio e constipação crônica desde o período neonatal, evoluindo com distensão abdominal. A conduta imediata para descompressão e tratamento da enterocolite associada é a lavagem intestinal, que visa remover as fezes retidas e gases.
A Doença de Hirschsprung, ou megacólon congênito, é uma condição rara caracterizada pela ausência congênita de células ganglionares nos plexos mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) de um segmento do intestino distal, resultando em um segmento aganglionar funcionalmente obstruído. É uma causa importante de obstrução intestinal em neonatos e lactentes. A apresentação clínica clássica inclui atraso na eliminação do mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida, seguido por constipação crônica, distensão abdominal e, em casos mais graves, vômitos e falha de crescimento. A enterocolite de Hirschsprung é uma complicação grave, com febre, distensão abdominal e diarreia explosiva, que pode levar a sepse e óbito. O exame físico revela abdome distendido e timpânico, e o toque retal pode revelar ampola vazia com saída explosiva de fezes e gases ao retirar o dedo. A conduta imediata para um lactente com suspeita de Hirschsprung e sinais de obstrução ou enterocolite é a descompressão intestinal por meio de lavagens intestinais com solução salina. Isso alivia a obstrução funcional, remove toxinas e estabiliza o paciente. Após a estabilização, o diagnóstico é confirmado por biópsia retal, e o tratamento definitivo é cirúrgico, envolvendo a ressecção do segmento aganglionar e o abaixamento do cólon normal para o ânus.
Sinais de alerta incluem atraso na eliminação do mecônio (>48h), constipação intestinal crônica desde o nascimento, distensão abdominal progressiva, vômitos biliares e, em casos graves, enterocolite com febre e diarreia explosiva.
A conduta imediata é a descompressão intestinal através de lavagens intestinais com solução salina, visando remover o conteúdo fecal retido e gases, aliviando a distensão e prevenindo ou tratando a enterocolite.
O diagnóstico definitivo é realizado por biópsia retal com coloração para acetilcolinesterase, que demonstra a ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso na porção aganglionar do intestino.
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