Doença de Hirschsprung: Diagnóstico e Sinais de Alerta

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um pré-escolar de três anos de idade compareceu à consulta acompanhado pela mãe. Ela refere que a criança tem dificuldade para eliminar fezes e apresenta distensão abdominal há mais de 18 meses, e que o seu hábito intestinal é uma vez a cada 10 ou 12 dias, sempre com ajuda de laxantes e uso de "lavagem intestinal", o que tem causado grande desconforto e desânimo na criança. Ao exame físico, observou-se distensão abdominal moderada, massa palpável no abdome inferior esquerdo e ampola retal vazia ào toque, qual condição deve ser considerada nessa avaliação?

Alternativas

  1. A) Megacólon aganglionar.
  2. B) Doença celiaca.
  3. C) Hipotiroidismo.
  4. D) Constipação funcional.

Pérola Clínica

Constipação crônica + Ampola retal vazia + Distensão abdominal = Suspeitar de Doença de Hirschsprung.

Resumo-Chave

O megacólon aganglionar resulta da falha na migração das células da crista neural, levando a um segmento distal contraído e obstrução funcional.

Contexto Educacional

A Doença de Hirschsprung é uma causa importante de obstrução intestinal baixa em recém-nascidos e lactentes. A apresentação clássica envolve a tríade de falha na eliminação de mecônio, distensão abdominal e vômitos biliosos. Em casos de segmento curto, o diagnóstico pode ser tardio, manifestando-se como constipação refratária grave. O tratamento é cirúrgico e consiste na ressecção do segmento aganglionar e abaixamento do cólon ganglionar até o ânus (procedimentos de Duhamel, Soave ou Swenson). A complicação mais temida é a enterocolite associada ao Hirschsprung, uma condição inflamatória grave que pode levar à sepse e perfuração intestinal.

Perguntas Frequentes

O que causa a Doença de Hirschsprung?

A Doença de Hirschsprung, ou megacólon aganglionar congênito, é causada por uma falha na migração cefalocaudal das células da crista neural durante o desenvolvimento embrionário (entre a 5ª e 12ª semana de gestação). Isso resulta na ausência dos plexos nervosos intramurais (Meissner e Auerbach) no segmento distal do cólon, geralmente começando no reto e estendendo-se proximalmente por uma distância variável. Sem esses plexos, o segmento afetado não relaxa, permanecendo em estado de contração tônica, o que gera uma obstrução funcional e dilatação do cólon normal proximal ao segmento doente.

Como diferenciar Hirschsprung de constipação funcional?

A diferenciação baseia-se na história clínica e exame físico. Na Doença de Hirschsprung, os sintomas geralmente começam no período neonatal (atraso na eliminação de mecônio > 48h), há distensão abdominal importante, desnutrição e, ao toque retal, a ampola está vazia (com saída explosiva de fezes após a retirada do dedo). Na constipação funcional, o início costuma ser mais tardio (treinamento esfincteriano), não há atraso no mecônio, o crescimento é normal e o toque retal revela uma ampola cheia de fezes endurecidas (fecaloma).

Qual o padrão-ouro para o diagnóstico de Hirschsprung?

O padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da Doença de Hirschsprung é a biópsia retal por sucção. O patologista busca a ausência de células ganglionares nos plexos submucosos e mientéricos, além de observar a presença de fibras nervosas hipertróficas (identificadas pela coloração de acetilcolinesterase). Exames complementares como o enema opaco (mostrando a zona de transição) e a manometria anorretal (ausência do reflexo inibitório anal) são úteis para triagem e planejamento cirúrgico, mas a biópsia confirma a patologia.

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