Doença de Hirschsprung: Diagnóstico Padrão-Ouro

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino com 16 dias de vida apresenta dificuldade para evacuar desde o nascimento, associada a distensão abdominal. AP: nascido a termo, eliminou mecônio com 3 dias de vida, após estímulo retal. Desde a alta da maternidade, evacuou duas vezes, após aplicação de supositório de glicerina. Exame físico: abdome globoso, distendido, RHA propulsivos, sem sinais de reação peritoneal.O método considerado como padrão-ouro para o diagnóstico da principal hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) manometria anorretal.
  2. B) enema opaco.
  3. C) biópsia retal de sucção.
  4. D) ressonância nuclear magnética.

Pérola Clínica

Atraso eliminação mecônio + constipação neonatal + distensão abdominal → Hirschsprung. Padrão-ouro = biópsia retal de sucção.

Resumo-Chave

A Doença de Hirschsprung deve ser fortemente suspeitada em neonatos com atraso na eliminação do mecônio (>48h), constipação crônica e distensão abdominal. O diagnóstico definitivo é feito pela biópsia retal, que demonstra a ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico e submucoso.

Contexto Educacional

A Doença de Hirschsprung, ou aganglionose intestinal congênita, é uma malformação que resulta da falha na migração das células da crista neural para a parede intestinal durante o desenvolvimento embrionário. Isso leva à ausência de células ganglionares nos plexos mioentérico (Auerbach) e submucoso (Meissner) em um segmento variável do intestino, geralmente começando no reto e estendendo-se proximalmente. A ausência dessas células impede o relaxamento do segmento afetado, causando uma obstrução funcional. Clinicamente, a doença se manifesta no período neonatal com atraso na eliminação do mecônio (mais de 48 horas de vida), constipação crônica, distensão abdominal e, em casos mais graves, enterocolite. O exame físico pode revelar um abdome distendido e, ao toque retal, uma ampola retal vazia seguida de uma explosão de fezes e gases ao retirar o dedo. O diagnóstico definitivo é estabelecido pela biópsia retal de sucção, que é considerada o padrão-ouro. Este procedimento permite a análise histopatológica para identificar a ausência de células ganglionares. Outros exames, como o enema opaco (que pode mostrar uma zona de transição e dilatação do cólon proximal) e a manometria anorretal (que avalia a ausência do reflexo inibitório retoanal), são úteis como métodos de triagem e complementares, mas não substituem a biópsia para a confirmação diagnóstica. O tratamento é cirúrgico, visando remover o segmento agangliônico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para Doença de Hirschsprung em neonatos?

Os principais sinais de alerta incluem atraso na eliminação do mecônio (após 48 horas de vida), constipação crônica desde o nascimento, distensão abdominal e, em casos graves, enterocolite.

Por que a biópsia retal de sucção é o padrão-ouro?

A biópsia retal de sucção é o padrão-ouro porque permite a análise histopatológica da parede intestinal, confirmando a ausência de células ganglionares nos plexos submucoso e mioentérico, que é a característica patognomônica da doença.

Qual o papel do enema opaco e da manometria anorretal?

O enema opaco pode mostrar uma zona de transição e um cólon dilatado proximal, enquanto a manometria anorretal pode evidenciar a ausência do reflexo relaxamento do esfíncter anal interno. Ambos são métodos complementares, mas não definitivos.

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