Esteatose Hepática: Manejo e Rastreio da Síndrome Metabólica

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 65 anos, refere desconforto em hipocôndrio direito há 2 meses. Relata aumento de 12 kg nos últimos 5 anos. É pré-diabética e hipertensa, mas não tem medido a pressão de maneira rotineira e não faz uso de medicamentos. Bebe uma lata de cerveja nos finais de semana e usou anticoncepcional até os 40 anos. Exame físico: bom estado geral, peso = 92 kg, altura = 1,65 m, PA = 160 x 100 mmHg, FC = 92 bpm, circunferência abdominal = 104 cm, sem edemas; fígado palpável a 5 cm do rebordo costal direito, tenso, rombo, sensível ao toque. Realizada ultrassonografia do abdome que revelou a presença de esteatose hepática. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta para esse caso.

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento farmacológico com vitamina E em altas doses, para diminuir a progressão para fibrose ou cirrose hepática.
  2. B) Indicar a realização de fibroscan hepático.
  3. C) Rastrear síndrome metabólica e iniciar mudanças do estilo de vida.
  4. D) Realizar biópsia hepática para confirmar a etiologia e gravidade da lesão.
  5. E) Realizar controle da pressão arterial e acalmar a paciente em relação às alterações hepáticas, já que raramente trazem complicações a longo prazo.

Pérola Clínica

DHGNA: rastrear SM e iniciar MEV → ↓ peso, PA, glicemia.

Resumo-Chave

A esteatose hepática é frequentemente a manifestação hepática da síndrome metabólica. A conduta inicial e mais importante é a modificação do estilo de vida, visando perda de peso, controle glicêmico e pressórico.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, com prevalência crescente devido à epidemia de obesidade e diabetes. É um espectro que varia de esteatose simples a esteato-hepatite não alcoólica (EHNA), fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. Sua importância clínica reside na potencial progressão para formas mais graves de doença hepática. A fisiopatologia da DHGNA está intimamente ligada à resistência à insulina e à síndrome metabólica. O diagnóstico inicial é frequentemente feito por ultrassonografia, que detecta a esteatose. A suspeita deve surgir em pacientes com fatores de risco metabólicos e elevação de enzimas hepáticas, ou achados incidentais em exames de imagem. O tratamento primário e mais eficaz é a modificação do estilo de vida, incluindo dieta hipocalórica, exercícios físicos e perda de peso (5-10% do peso corporal pode melhorar a histologia hepática). O controle rigoroso da hipertensão, dislipidemia e diabetes é fundamental. Fármacos como vitamina E ou pioglitazona podem ser considerados em casos específicos de EHNA comprovada, mas não são a primeira linha. O prognóstico depende da presença e grau de fibrose.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para esteatose hepática não alcoólica?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial e síndrome metabólica, refletindo a resistência à insulina.

Qual a conduta inicial para um paciente com esteatose hepática?

A conduta inicial e mais eficaz é a modificação do estilo de vida, com perda de peso (dieta e exercícios), controle glicêmico, pressórico e lipídico.

Quando a biópsia hepática é indicada na esteatose hepática?

A biópsia hepática é reservada para casos de dúvida diagnóstica, progressão da doença apesar das mudanças de estilo de vida, ou para estadiamento da fibrose em pacientes selecionados.

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