UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021
Com relação à Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), assinale a alternativa correta.
DHGNA → Mudanças de estilo de vida (dieta ↓ carboidratos, ↑ atividade física) = tratamento fundamental.
As mudanças no estilo de vida são a pedra angular do tratamento da DHGNA, pois abordam diretamente os fatores de risco metabólicos subjacentes. A restrição de carboidratos simples e a prática regular de atividade física promovem a perda de peso, melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem a esteatose e inflamação hepática.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no fígado, na ausência de consumo significativo de álcool. Sua prevalência tem aumentado globalmente, paralelamente à epidemia de obesidade e diabetes tipo 2, sendo considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica. A DHGNA abrange um espectro que vai da esteatose simples à esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que pode progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. A fisiopatologia da DHGNA é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, disfunção do tecido adiposo, estresse oxidativo e inflamação. A resistência à insulina leva ao aumento da lipólise e do fluxo de ácidos graxos para o fígado, promovendo a síntese de triglicerídeos e o acúmulo de gordura. A inflamação crônica e o estresse oxidativo contribuem para a progressão da esteatose simples para NASH e fibrose. O diagnóstico é frequentemente incidental, por exames de imagem ou alterações em enzimas hepáticas. O tratamento da DHGNA é primariamente focado em mudanças no estilo de vida. A perda de peso, alcançada através de dieta com restrição calórica e de carboidratos simples, e a prática regular de atividade física, são as intervenções mais eficazes para reduzir a esteatose, a inflamação e até mesmo a fibrose hepática. Embora existam pesquisas sobre terapias farmacológicas, estas são geralmente reservadas para casos de NASH com fibrose avançada, e as modificações de estilo de vida permanecem a base do manejo para todos os pacientes.
A dieta é crucial, com foco na restrição de carboidratos simples (especialmente frutose), gorduras saturadas e trans. Uma dieta equilibrada, rica em fibras e com controle calórico, visa promover a perda de peso e melhorar a sensibilidade à insulina, reduzindo a esteatose e a inflamação hepática.
A atividade física regular ajuda na perda de peso, melhora a composição corporal, aumenta a sensibilidade à insulina e pode reduzir diretamente a gordura hepática e a inflamação, mesmo sem perda de peso significativa. É um componente essencial do tratamento não farmacológico.
Embora a DHGNA possa progredir para cirrose e suas complicações, a principal causa de morte nesses pacientes não é a doença hepática em si, mas sim as doenças cardiovasculares, devido à forte associação da DHGNA com a síndrome metabólica.
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