DHGNA: Diagnóstico Inicial em Pacientes Obesos com Fadiga

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 46 anos de idade, previamente hígida, procura a unidade básica de saúde (UBS) por desconforto inespecífico em hipocôndrio direito há 8 meses, sem relação clara com alimentação. Queixa-se também de fadiga, que associa ao sedentarismo. Nega etilismo ou uso de drogas. Ao exame clínico, apresenta-se em bom estado geral, anictérica e com índice de massa corpórea (IMC) de 37,3 kg/m². Os achados cutâneos podem ser vistos na figura abaixo: (Fotografia do exame cutâneo da paciente)O exame abdominal não revelou alterações. Apresentou exames laboratoriais, com alanina aminotransferase de 36 U/L, aspartato aminotransferase de 53 U/L, fosfatase alcalina de 121 U/L, gama-glutamil transferase de 102 U/L, bilirrubina direta de 0,8 mg/dL, relação normalizada internacional (INR) de 1,12, sorologia para hepatite B com Ag-HBs e anti-HBc não reagentes, anti-HBs reagente e sorologia para hepatite C não reagente. Todos os exames apresentados foram repetidos e confirmados, com primeiro exame de seis meses atrás compatível com os exames atuais. Qual é o primeiro exame que deve ser solicitado para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Colangiorressonância magnética
  2. B) Anticorpo antimitocôndria
  3. C) Ultrassonografia de abdômen superior
  4. D) Fator antinuclear (FAN) em células HEp-2
  5. E) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)

Pérola Clínica

Mulher obesa, fadiga, desconforto HD, enzimas hepáticas alteradas, acantose nigricans → USG abdômen superior para DHGNA.

Resumo-Chave

A paciente apresenta fatores de risco para Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), como obesidade e provável resistência à insulina (sugerida pela acantose nigricans). A ultrassonografia de abdômen superior é o exame de primeira linha para rastreamento e diagnóstico de esteatose hepática, sendo fundamental para iniciar a investigação.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição prevalente, especialmente em países com alta incidência de obesidade e síndrome metabólica. Ela abrange um espectro de doenças hepáticas, desde a esteatose simples (acúmulo de gordura no fígado) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que pode progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para DHGNA: obesidade (IMC 37,3 kg/m²), fadiga inespecífica e desconforto em hipocôndrio direito, além de acantose nigricans, um marcador cutâneo de resistência à insulina. Seus exames laboratoriais mostram elevação discreta de AST e GGT, que são achados comuns na DHGNA. A exclusão de hepatites virais e etilismo reforça a suspeita de DHGNA. Diante desse quadro, a ultrassonografia de abdômen superior é o exame de primeira escolha. É um método acessível e eficaz para detectar a esteatose hepática. Uma vez confirmada a esteatose, a conduta subsequente envolverá a avaliação da progressão da doença (fibrose), manejo dos fatores de risco (perda de peso, controle de diabetes e dislipidemia) e, se necessário, exames mais avançados como a elastografia hepática ou biópsia para estadiamento da fibrose e diferenciação entre esteatose simples e NASH.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA)?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica e resistência à insulina. A acantose nigricans é um sinal cutâneo de resistência à insulina.

Por que a ultrassonografia de abdômen superior é o primeiro exame a ser solicitado para suspeita de DHGNA?

A ultrassonografia é um método não invasivo, de baixo custo e amplamente disponível, que permite identificar a presença de esteatose hepática (fígado gorduroso) com boa sensibilidade e especificidade, sendo o exame de rastreamento inicial.

Quais são os próximos passos na investigação de DHGNA após a confirmação da esteatose pela ultrassonografia?

Após a confirmação, a investigação pode incluir exames para avaliar a gravidade da inflamação e fibrose (ex: elastografia hepática, biomarcadores séricos), e em alguns casos, biópsia hepática para diferenciar esteatose simples de esteato-hepatite não alcoólica (NASH).

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