UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Sobre a doença hepática gordurosa não alcoólica, é correto afirmar:
Fisiopatogenia da DHGNA envolve estresse oxidativo, peroxidação lipídica e citocinas inflamatórias, levando à esteato-hepatite e fibrose.
A DHGNA é uma doença complexa cuja fisiopatogenia vai além do simples acúmulo de gordura. O 'segundo golpe' (two-hit hypothesis) envolve estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e liberação de citocinas pró-inflamatórias e pró-fibróticas, que levam à inflamação (NASH) e progressão para fibrose e cirrose.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), ou NAFLD (Non-Alcoholic Fatty Liver Disease), é atualmente a causa mais comum de doença hepática crônica globalmente, afetando uma proporção significativa da população, especialmente em países ocidentais e em grupos como hispânicos. Ela abrange um espectro de condições, desde a esteatose hepática simples (acúmulo de gordura no fígado) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que envolve inflamação e lesão hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. A fisiopatogenia da DHGNA é complexa e multifatorial, envolvendo a 'hipótese dos múltiplos golpes'. O primeiro golpe é o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, frequentemente associado à resistência à insulina e à síndrome metabólica. Subsequentemente, múltiplos golpes, como o estresse oxidativo (geração de espécies reativas de oxigênio), peroxidação lipídica, disfunção mitocondrial e a liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-alfa, IL-6) e pró-fibróticas (TGF-beta), promovem a inflamação e a fibrogênese, levando à progressão para NASH e fibrose. O diagnóstico da DHGNA é baseado em achados de imagem (ultrassom, TC, RM) que demonstram esteatose, exclusão de outras causas de doença hepática (especialmente consumo significativo de álcool) e, para o diagnóstico de NASH e estadiamento da fibrose, a biópsia hepática permanece o padrão ouro, identificando balonização hepatocitária, inflamação e fibrose. O tratamento foca em mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios para perda de peso, que são as intervenções mais eficazes. Embora haja pesquisas em andamento, não existem medicações aprovadas especificamente para a DHGNA, mas algumas podem ser usadas para tratar comorbidades ou reduzir a inflamação e fibrose em casos selecionados.
A progressão da DHGNA para NASH e fibrose envolve a 'hipótese dos múltiplos golpes'. Após o acúmulo inicial de gordura (primeiro golpe), ocorrem eventos como estresse oxidativo, disfunção mitocondrial, peroxidação lipídica e ativação de citocinas pró-inflamatórias e pró-fibróticas (segundo e múltiplos golpes), que levam à inflamação, lesão hepatocitária e deposição de colágeno.
A esteato-hepatite não alcoólica (NASH) é caracterizada histologicamente pela presença de esteatose (macrogoticular), inflamação lobular, balonização hepatocitária e, frequentemente, fibrose. Os corpúsculos de Mallory, embora não patognomônicos, podem ser encontrados e indicam lesão hepatocelular.
As mudanças no estilo de vida, incluindo dieta saudável e aumento da atividade física, são a pedra angular do tratamento da DHGNA. A perda de peso (5-10% do peso corporal) pode reduzir a esteatose, inflamação e fibrose hepática, sendo a intervenção mais eficaz para melhorar o prognóstico da doença.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo