IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020
Com relação à doença hepática gordurosa não alcoólica, é correto afirmar que:
DHGNA: maioria assintomática; enzimas hepáticas não correlacionam com gravidade; pode ocorrer em normopesos; tratamento foca em estilo de vida.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é frequentemente assintomática, sendo um achado incidental. As enzimas hepáticas (ALT, AST) podem estar normais ou levemente elevadas e não são bons indicadores da gravidade da fibrose ou inflamação. A DHGNA também pode afetar indivíduos normopesos, e o tratamento primário envolve modificações no estilo de vida, não medicamentos como metformina.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição prevalente que abrange um espectro de doenças hepáticas, desde a esteatose hepática simples (acúmulo de gordura no fígado) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que envolve inflamação e dano hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. É a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, intimamente ligada à síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2. A maioria dos pacientes é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce. A fisiopatologia da DHGNA é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e inflamação. A resistência à insulina leva ao aumento da lipólise no tecido adiposo e maior entrega de ácidos graxos livres ao fígado, promovendo a esteatose. Em alguns indivíduos, um "segundo golpe" (inflamação, estresse oxidativo) leva à progressão para NASH. As enzimas hepáticas, como ALT e AST, podem estar normais ou elevadas, mas não são marcadores confiáveis da gravidade da fibrose. O tratamento da DHGNA é primariamente focado em modificações do estilo de vida, como perda de peso (5-10% do peso corporal pode melhorar a histologia hepática), dieta saudável e exercícios físicos. Não existe um tratamento farmacológico universalmente aprovado para a DHGNA. Embora a metformina seja usada para diabetes, ela não é o tratamento de escolha para a DHGNA em si. Tiazolidinedionas (como pioglitazona) e vitamina E podem ser consideradas em pacientes com NASH comprovada por biópsia, mas com ressalvas e contraindicações. O manejo das comorbidades metabólicas é essencial.
Os principais fatores de risco para DHGNA incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia (especialmente hipertrigliceridemia) e síndrome metabólica. A resistência à insulina é considerada um mecanismo central na patogênese da doença.
O diagnóstico de DHGNA é feito pela evidência de esteatose hepática (geralmente por ultrassonografia ou outros exames de imagem) na ausência de consumo significativo de álcool ou outras causas de doença hepática. A biópsia hepática é o padrão-ouro para diferenciar esteatose simples de esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e estadiar a fibrose.
O tratamento de primeira linha para a DHGNA é a modificação do estilo de vida, incluindo perda de peso (dieta e exercícios físicos), controle do diabetes, dislipidemia e hipertensão. Não há um medicamento específico aprovado para todos os casos de DHGNA, mas tiazolidinedionas e vitamina E podem ser consideradas em casos selecionados de NASH.
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