DHGNA: Diagnóstico, Sintomas e Manejo Clínico

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020

Enunciado

Com relação à doença hepática gordurosa não alcoólica, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) a maioria dos pacientes é assintomática
  2. B) na avaliação dos pacientes, as enzimas hepáticas alanina aminotransferase e aspartato aminotransferase são bons marcadores de gravidade do dano da célula hepática
  3. C) ocorre exclusivamente em pacientes com excesso de peso corpóreo
  4. D) os medicamentos da classe das tiazolidinedionas (exemplo: metformina são os de escolha para o tratamento

Pérola Clínica

DHGNA: maioria assintomática; enzimas hepáticas não correlacionam com gravidade; pode ocorrer em normopesos; tratamento foca em estilo de vida.

Resumo-Chave

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é frequentemente assintomática, sendo um achado incidental. As enzimas hepáticas (ALT, AST) podem estar normais ou levemente elevadas e não são bons indicadores da gravidade da fibrose ou inflamação. A DHGNA também pode afetar indivíduos normopesos, e o tratamento primário envolve modificações no estilo de vida, não medicamentos como metformina.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição prevalente que abrange um espectro de doenças hepáticas, desde a esteatose hepática simples (acúmulo de gordura no fígado) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que envolve inflamação e dano hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. É a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, intimamente ligada à síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2. A maioria dos pacientes é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce. A fisiopatologia da DHGNA é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e inflamação. A resistência à insulina leva ao aumento da lipólise no tecido adiposo e maior entrega de ácidos graxos livres ao fígado, promovendo a esteatose. Em alguns indivíduos, um "segundo golpe" (inflamação, estresse oxidativo) leva à progressão para NASH. As enzimas hepáticas, como ALT e AST, podem estar normais ou elevadas, mas não são marcadores confiáveis da gravidade da fibrose. O tratamento da DHGNA é primariamente focado em modificações do estilo de vida, como perda de peso (5-10% do peso corporal pode melhorar a histologia hepática), dieta saudável e exercícios físicos. Não existe um tratamento farmacológico universalmente aprovado para a DHGNA. Embora a metformina seja usada para diabetes, ela não é o tratamento de escolha para a DHGNA em si. Tiazolidinedionas (como pioglitazona) e vitamina E podem ser consideradas em pacientes com NASH comprovada por biópsia, mas com ressalvas e contraindicações. O manejo das comorbidades metabólicas é essencial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para DHGNA?

Os principais fatores de risco para DHGNA incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia (especialmente hipertrigliceridemia) e síndrome metabólica. A resistência à insulina é considerada um mecanismo central na patogênese da doença.

Como a DHGNA é diagnosticada?

O diagnóstico de DHGNA é feito pela evidência de esteatose hepática (geralmente por ultrassonografia ou outros exames de imagem) na ausência de consumo significativo de álcool ou outras causas de doença hepática. A biópsia hepática é o padrão-ouro para diferenciar esteatose simples de esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e estadiar a fibrose.

Qual o tratamento de primeira linha para a DHGNA?

O tratamento de primeira linha para a DHGNA é a modificação do estilo de vida, incluindo perda de peso (dieta e exercícios físicos), controle do diabetes, dislipidemia e hipertensão. Não há um medicamento específico aprovado para todos os casos de DHGNA, mas tiazolidinedionas e vitamina E podem ser consideradas em casos selecionados de NASH.

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