Esteatose Hepática e Fibrose: Avaliação e Manejo na DHGNA

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 52 anos, obeso (IMC 32 kg/m²) e com diagnóstico prévio de diabetes mellitus tipo 2, apresenta exames laboratoriais realizados em um check-up que mostram elevação de transaminases (AST 58 U/L, ALT 74 U/L) e discreto aumento de gama-GT (65 U/L). Ele nega consumo significativo de álcool e não apresenta sintomas. A ultrassonografia abdominal evidencia aumento difuso da ecogenicidade hepática, sugestivo de esteatose hepática. Com base nos achados clínicos e laboratoriais, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta para este paciente.

Alternativas

  1. A) Confirmar o diagnóstico com biópsia hepática.
  2. B) Realizar elastografia hepática para avaliar fibrose e estimar o risco de progressão da doença.
  3. C) Iniciar uso de estatinas, visando reduzir transaminases e melhorar a inflamação hepática.
  4. D) Prescrever dieta e exercício físico, mas sem necessidade de investigação adicional, dado o caráter benigno da condição.
  5. E) Solicitar tomografia computadorizada para confirmar o diagnóstico de esteatose hepática.

Pérola Clínica

Obesidade/DM2 + transaminases ↑ + esteatose USG → Investigar fibrose com Elastografia hepática.

Resumo-Chave

Pacientes com fatores de risco metabólicos (obesidade, DM2) e evidência de esteatose hepática com transaminases elevadas têm risco de esteato-hepatite não alcoólica (EHNA) e fibrose. A elastografia hepática é crucial para avaliar a fibrose de forma não invasiva e estratificar o risco de progressão da doença.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, intimamente ligada à obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e síndrome metabólica. Ela abrange um espectro que vai da esteatose simples (acúmulo de gordura no fígado) à esteato-hepatite não alcoólica (EHNA), que envolve inflamação e dano hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. A fisiopatologia da DHGNA é complexa, envolvendo resistência à insulina, estresse oxidativo e inflamação. O diagnóstico inicial de esteatose é frequentemente feito por ultrassonografia abdominal, mas a elevação das transaminases (AST, ALT) sugere a presença de EHNA, indicando um processo inflamatório ativo e maior risco de progressão. A biópsia hepática é o padrão-ouro para o diagnóstico de EHNA e estadiamento da fibrose, mas é invasiva. A conduta para pacientes com DHGNA e suspeita de EHNA (como neste caso, com transaminases elevadas) deve incluir a avaliação da fibrose hepática. A elastografia hepática (como FibroScan) é um método não invasivo e amplamente utilizado para estimar o grau de fibrose, auxiliando na estratificação do risco e na decisão sobre a necessidade de biópsia ou acompanhamento mais intensivo. Mudanças no estilo de vida, como dieta e exercício físico para controle do peso e das comorbidades metabólicas, são a base do tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de investigar a fibrose hepática em pacientes com esteatose?

A fibrose hepática é o principal preditor de progressão da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. Sua avaliação é crucial para estratificar o risco e guiar o manejo.

Como a elastografia hepática auxilia no diagnóstico da DHGNA?

A elastografia hepática é um método não invasivo que mede a rigidez do fígado, correlacionando-se diretamente com o grau de fibrose. Ela ajuda a identificar pacientes com fibrose significativa que necessitam de acompanhamento mais rigoroso e intervenções.

Quais são os fatores de risco para a progressão da esteatose hepática para fibrose e cirrose?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica, hipertensão arterial e a presença de esteato-hepatite não alcoólica (EHNA) confirmada por biópsia.

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