CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021
Com relação à doença hepática gordurosa não alcoólica, é correto afirmar:Mulher de 48 anos de idade, com diagnóstico de cirrose hepática de etiologia alcoólica, apresenta-se em classe funcional Child C, com ascite, normotensa, sem sinais de infecção, oligúrica com creatinina sérica de 3,2mg/dL, em uso de furosemida e aldactone. Duas semanas antes, compareceu ao Ambulatório de Fígado e a creatinina sérica era de 1,4mg/dL. Em relação às condutas iniciais, marque a alternativa correta.
DHGNA: maioria assintomática, diagnóstico incidental, enzimas hepáticas não correlacionam com gravidade.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é frequentemente assintomática e descoberta incidentalmente em exames de imagem ou laboratoriais. As enzimas hepáticas (ALT, AST) podem estar elevadas, mas não são bons marcadores da gravidade do dano hepático ou da presença de fibrose.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição prevalente que abrange um espectro de doenças hepáticas, desde a esteatose simples (acúmulo de gordura no fígado) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que pode progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. É a causa mais comum de doença hepática crônica em países ocidentais e está fortemente associada à síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2. A característica mais marcante da DHGNA é que a maioria dos pacientes é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce. A doença é frequentemente descoberta incidentalmente durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal ou exames de sangue que mostram elevação das enzimas hepáticas. No entanto, é crucial entender que os níveis de alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST) não são bons marcadores da gravidade do dano hepático ou da presença de fibrose, e muitos pacientes com doença avançada podem ter enzimas normais. O tratamento da DHGNA foca na modificação do estilo de vida, incluindo perda de peso, dieta saudável e exercícios físicos. Embora medicamentos como tiazolidinedionas (ex: pioglitazona) e análogos de GLP-1 (ex: liraglutida) possam ser úteis em subgrupos específicos de pacientes com NASH e diabetes, não há um medicamento de escolha universal para todos os casos de DHGNA. A metformina, por exemplo, não é considerada o tratamento de escolha para a DHGNA em si, embora seja usada para o diabetes associado.
Os principais fatores de risco para DHGNA incluem obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, síndrome metabólica e resistência à insulina, refletindo a forte associação com o estilo de vida.
A DHGNA é frequentemente assintomática porque a esteatose hepática e a inflamação inicial geralmente não causam sintomas específicos, sendo a doença descoberta incidentalmente em exames de rotina ou por outras condições.
Não necessariamente. As enzimas hepáticas (ALT, AST) podem estar elevadas na DHGNA, mas sua elevação não se correlaciona bem com a gravidade do dano hepático ou o grau de fibrose, e muitos pacientes com doença avançada podem ter enzimas normais.
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