HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 47 anos, peso 75kg, estatura 1,50m. Vem sendo acompanhada ambulatorialmente por DM2 em uso de metformina 1000mg 2x ao dia há 5 anos. Relata certo desânimo, fadiga e dor abdominal ocasional. Exames laboratoriais mostram glicemia de jejum 110 mg/dL, hemoglobina glicada de 7,4%, TGO/TGP discretamente elevados, sem consumo de álcool ou outras condições que justifiquem os achados. Ultrassonografia abdominal revela aumento difuso da ecogenicidade hepática, compatível com esteatose. Não há sinais de cirrose. Qual das seguintes condutas é mais apropriada para o manejo desta paciente?
Na DHGNA associada à síndrome metabólica, a perda de peso (≥10%) é a terapia mais eficaz. A elastografia hepática é o método não invasivo de escolha para estadiar a fibrose.
O manejo da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) foca na modificação do estilo de vida. A perda de peso de 7-10% pode reverter a esteatose e a inflamação (esteato-hepatite). A elastografia é fundamental para avaliar o grau de fibrose de forma não invasiva, estratificando o risco de progressão para cirrose e guiando a necessidade de intervenções mais agressivas.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo, fortemente associada à epidemia de obesidade, diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e síndrome metabólica. A DHGNA representa um espectro de doenças que vai desde a esteatose simples (acúmulo de gordura) até a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que envolve inflamação e lesão hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e hepatocarcinoma. O diagnóstico inicial é frequentemente feito por ultrassonografia, que mostra um fígado hiperecogênico. A avaliação subsequente é crucial para estadiar a doença, especialmente para identificar a presença de fibrose, que é o principal preditor de mortalidade. Métodos não invasivos, como a elastografia transitória (FibroScan®), são ferramentas valiosas para quantificar a rigidez hepática, que se correlaciona com o grau de fibrose, ajudando a evitar biópsias em muitos pacientes. O pilar do tratamento da DHGNA e da NASH é a modificação do estilo de vida. A perda de peso, obtida através de dieta e exercícios, é a intervenção mais eficaz. Uma perda de 5% do peso corporal pode reduzir a esteatose, enquanto perdas de 7-10% podem resolver a esteato-hepatite e até mesmo reverter a fibrose. Não há, até o momento, um tratamento farmacológico universalmente aprovado especificamente para a NASH, reforçando o papel central das mudanças no estilo de vida.
A progressão para NASH, a forma inflamatória da doença, deve ser suspeitada em pacientes com síndrome metabólica (obesidade, DM2, dislipidemia) que apresentam elevação persistente das transaminases (tipicamente ALT > AST). A confirmação, no entanto, é histológica, mas métodos não invasivos como a elastografia podem indicar fibrose significativa, que é uma consequência da NASH.
A perda de peso melhora a sensibilidade à insulina em todo o corpo, reduzindo o influxo de ácidos graxos para o fígado e a lipogênese de novo. Isso diminui o acúmulo de gordura (esteatose), o estresse oxidativo e a inflamação (esteato-hepatite). Perdas ponderais significativas (≥10%) podem até levar à regressão da fibrose hepática.
A biópsia hepática é o padrão-ouro, mas é um procedimento invasivo. Suas principais indicações são: incerteza no diagnóstico, suspeita de doença hepática concomitante, ou para estadiamento definitivo da fibrose quando os testes não invasivos (elastografia e escores séricos como FIB-4) são inconclusivos ou discordantes.
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