DHGNA: Dieta e Exercício como Tratamento Essencial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 60 anos procura assistência médica por conta de um laudo de ultrassonografia com esteatose hepática; DM2, IMC 30 Kg/m2 e hipertensão em uso de losartana e insulina NPH. Nega etilismo. A avaliação laboratorial mostra glicemia de jejum 120 mg/dL, hemoglobina glicada 6,8%, AST 52 UI/L (VR 40), ALT 56 UI/L (VR 41), FA 100 UI/L (VR 105), GGT 150 UI/L (VR 30), INR 1,1, albumina 4,7 g/dl, sorologia para vírus B e C não reagentes, anti-músculo liso não reagente, gamaglobulinas normais, anti-mitocôndria não reagente. Ultrassom abdome com aumento da ecogenicidade hepática. Elastografia hepática de 8 kPa. Qual a principal conduta inicial que deverá ser realizada?

Alternativas

  1. A) Iniciar metformina e semaglutida.
  2. B) Iniciar atorvastatina e dapaglifozina.
  3. C) Iniciar atividade física regular e dieta.
  4. D) Iniciar atividade física 7x/semana e semaglutida.

Pérola Clínica

DHGNA + fibrose leve (elastografia 8 kPa) → mudança de estilo de vida (dieta + exercício) é conduta inicial essencial.

Resumo-Chave

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), incluindo a esteatose hepática e a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), tem como pilar do tratamento inicial a modificação do estilo de vida, com dieta e atividade física, visando a perda de peso e melhora da resistência à insulina, mesmo em pacientes com fibrose leve.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é a doença hepática crônica mais comum no mundo ocidental, abrangendo um espectro que vai da esteatose simples (acúmulo de gordura no fígado) à esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que pode progredir para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. Está intimamente ligada à síndrome metabólica, obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia. O diagnóstico é frequentemente incidental, por exames de imagem ou elevação de transaminases. A elastografia hepática (como o FibroScan) é uma ferramenta importante para avaliar o grau de fibrose, com valores acima de 8 kPa sugerindo fibrose significativa (F2 ou superior), indicando maior risco de progressão. A pedra angular do tratamento da DHGNA, independentemente do grau de fibrose, é a modificação do estilo de vida. Isso inclui a adoção de uma dieta saudável (restrição calórica, baixo teor de carboidratos refinados e gorduras saturadas) e a prática regular de atividade física, visando a perda de peso. A perda de 5-7% do peso corporal já pode melhorar a esteatose, e perdas maiores (7-10%) podem impactar a inflamação e a fibrose. O controle rigoroso do diabetes, hipertensão e dislipidemia também é fundamental.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA)?

A DHGNA está fortemente associada à síndrome metabólica, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia e resistência à insulina, sendo o acúmulo de gordura no fígado uma manifestação dessa disfunção metabólica.

Qual a meta de perda de peso para pacientes com DHGNA?

Uma perda de peso de 5-7% do peso corporal já pode melhorar a esteatose, enquanto uma perda de 7-10% pode reduzir a inflamação e a fibrose na esteato-hepatite não alcoólica (NASH).

Quando considerar tratamento farmacológico para DHGNA?

O tratamento farmacológico é considerado para pacientes com NASH comprovada por biópsia e fibrose significativa (F2 ou superior), ou para aqueles que não respondem às mudanças de estilo de vida, com opções como vitamina E, pioglitazona ou agonistas de GLP-1.

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