DHGNA: Diagnóstico Laboratorial e Achados de Imagem

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é uma condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado em pessoas que não consomem álcool em quantidades significativas. Frequentemente assintomática, pode evoluir para inflamação e fibrose hepática, com risco de progressão para cirrose em alguns casos. Sobre a DHGNA, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Geralmente, os valores de albumina e bilirrubina total encontram-se dentro da normalidade na DHGNA, mesmo na ausência de cirrose.
  2. B) O ultrassom frequentemente revela uma textura hipoecogênica difusa no fígado em pacientes com DHGNA.
  3. C) A relação AST/ALT geralmente excede a unidade (maior que um) em pacientes com DHGNA, refletindo maior comprometimento hepático.
  4. D) Pacientes com elevações de 2 ou 3 vezes o limite superior da normalidade de aminotransferases na DHGNA apresentam, por consequência, cirrose hepática avançada.

Pérola Clínica

DHGNA: AST/ALT < 1 (geralmente) + USG hiperecogênico + Albumina/Bilirrubina normais (pré-cirrose).

Resumo-Chave

Na DHGNA não cirrótica, a função sintética do fígado (albumina/TAP) e a excreção (bilirrubinas) costumam estar preservadas, apesar do acúmulo de gordura.

Contexto Educacional

A DHGNA é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, intimamente ligada à síndrome metabólica, obesidade e resistência à insulina. O espectro varia de esteatose isolada à esteato-hepatite não alcoólica (NASH), que pode evoluir para cirrose e carcinoma hepatocelular. O diagnóstico requer a demonstração de gordura hepática por imagem ou histologia e a exclusão de causas secundárias, como consumo excessivo de álcool. O tratamento foca na modificação do estilo de vida, perda de peso e controle de comorbidades metabólicas.

Perguntas Frequentes

Como interpretar a relação AST/ALT na DHGNA?

Na Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), a relação AST/ALT é tipicamente menor que 1. Isso difere da hepatite alcoólica, onde a relação costuma ser superior a 2. No entanto, à medida que a DHGNA progride para cirrose, a relação AST/ALT pode se inverter e tornar-se maior que 1, devido à redução do clearance de AST e alterações na dinâmica enzimática do fígado fibrótico. Portanto, uma relação < 1 sugere doença mais precoce, enquanto > 1 em um contexto de DHGNA crônica deve levantar suspeita de fibrose avançada.

Quais os achados ultrassonográficos típicos da esteatose?

O achado clássico na ultrassonografia de pacientes com DHGNA é o aumento da ecogenicidade do parênquima hepático (fígado 'brilhante' ou hiperecogênico) em comparação com o córtex renal. Além disso, ocorre uma atenuação posterior do feixe sonoro, o que dificulta a visualização de estruturas mais profundas e do diafragma. É importante notar que o ultrassom é operador-dependente e tem sensibilidade limitada quando a infiltração gordurosa é inferior a 20-30%, não sendo capaz de distinguir esteatose simples de esteato-hepatite (NASH).

Por que albumina e bilirrubina são normais na DHGNA inicial?

A albumina e a bilirrubina são marcadores da função de síntese e excreção hepática, respectivamente. Na DHGNA, o processo patológico inicial é o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, que pode ou não gerar inflamação. Enquanto não houver uma perda massiva de parênquima funcional ou desestruturação da arquitetura hepática (cirrose), o fígado mantém sua capacidade de sintetizar proteínas e excretar bilirrubinas. Alterações nesses parâmetros em um paciente com DHGNA geralmente indicam progressão para insuficiência hepática ou hipertensão portal.

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