UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Homem 43a, retorna à Unidade Básica de Saúde com resultados de exames. Antecedente pessoal: Nega tabagismo e etilismo. Exame físico: IMC= 23 kg/m2, circunferência abdominal= 115 cm, PA= 135x92 mmHg. Ultrassonografia abdominal: fígado hiperecogênico com contraste hepatorrenal moderado; triglicérides= 210 mg/dL, Colesterol HDL= 31 mg/dL, glicemia em jejum= 113 mg/dL, PCR ultrassensível= 4mg/dL, HOMA= 3,5.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
IMC normal + CA ↑ + PA ↑ + dislipidemia + glicemia ↑ + HOMA ↑ + fígado hiperecogênico → MASLD.
O paciente apresenta fatores de risco metabólicos (circunferência abdominal elevada, PA limítrofe, dislipidemia, glicemia de jejum alterada, HOMA-IR elevado) e evidência de esteatose hepática (fígado hiperecogênico). Este conjunto de achados, mesmo com IMC normal, caracteriza a Doença Hepática Gordurosa Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como NAFLD.
A Doença Hepática Gordurosa Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (NAFLD), é a doença hepática crônica mais comum globalmente. Caracteriza-se pelo acúmulo de gordura no fígado (esteatose) na ausência de consumo significativo de álcool e está fortemente associada à síndrome metabólica, resistência à insulina, obesidade e diabetes tipo 2. O caso clínico apresenta um homem com IMC normal, mas com circunferência abdominal elevada, hipertensão arterial limítrofe, dislipidemia (triglicerídeos elevados e HDL baixo), glicemia de jejum alterada e HOMA-IR elevado, indicando resistência à insulina. A ultrassonografia abdominal revela fígado hiperecogênico, confirmando a esteatose. A PCR ultrassensível elevada sugere um estado inflamatório crônico, comum na MASLD e na síndrome metabólica. Esses achados em conjunto são diagnósticos de MASLD, mesmo na ausência de obesidade franca (IMC normal), pois a adiposidade visceral e a disfunção metabólica são os principais impulsionadores da doença. O manejo envolve mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, para reduzir o peso, melhorar a resistência à insulina e controlar os fatores de risco cardiometabólicos, visando prevenir a progressão para esteato-hepatite, fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.
O diagnóstico de MASLD requer a presença de esteatose hepática (detectada por imagem ou biópsia) e pelo menos um dos cinco critérios cardiometabólicos: IMC elevado, circunferência abdominal aumentada, dislipidemia (triglicerídeos altos ou HDL baixo), pré-diabetes/diabetes tipo 2, ou evidência de resistência à insulina (HOMA-IR elevado).
A circunferência abdominal elevada, mesmo com IMC normal, indica adiposidade visceral, um forte preditor de disfunção metabólica. O HOMA-IR (Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance) elevado confirma a resistência à insulina, um fator central na patogênese da MASLD e da síndrome metabólica, explicando as alterações lipídicas e glicêmicas.
A PCR ultrassensível elevada (4 mg/dL) indica um estado de inflamação crônica de baixo grau, que é frequentemente associado à resistência à insulina, obesidade visceral e à progressão da MASLD para formas mais graves, como a esteato-hepatite não alcoólica (NASH).
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