Métodos Não Invasivos na MASLD: FIB-4 e Elastografia

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025

Enunciado

Sobre os métodos não invasivos de esteatose hepática metabólica, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O escore de APRI prevê fibrose hepática melhor que o FIB-4.
  2. B) A combinação de escores não invasivos e elastografia hepática são preconizados para predizer fibrose hepática.
  3. C) A elastografia com mais de 7 Kpa prediz hipertensão portal clinicamente significativa.
  4. D) O FIB-4 acima de 1.3 está associado a maior risco de carcinoma hepatocelular.

Pérola Clínica

Rastreio de fibrose na MASLD = FIB-4 inicial → Elastografia se risco intermediário/alto.

Resumo-Chave

A avaliação da fibrose na MASLD deve ser sequencial, utilizando escores séricos (FIB-4) seguidos de elastografia para aumentar a acurácia diagnóstica e evitar biópsias.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), anteriormente denominada DHGNA, tornou-se a principal causa de doença hepática crônica no mundo, acompanhando a epidemia de obesidade e diabetes tipo 2. A identificação da fibrose hepática é o fator prognóstico mais importante, pois determina o risco de evolução para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular (CHC). Atualmente, as diretrizes internacionais recomendam uma abordagem baseada em riscos. O uso do FIB-4 como 'gatekeeper' na atenção primária permite identificar pacientes de baixo risco que podem ser acompanhados com mudanças no estilo de vida. Já os pacientes com FIB-4 elevado devem ser encaminhados para elastografia. Essa estratégia combinada otimiza recursos e foca o cuidado especializado naqueles com maior probabilidade de progressão da doença. O conhecimento desses escores e da física da elastografia é indispensável para o médico moderno no manejo das doenças metabólicas.

Perguntas Frequentes

O que é o FIB-4 e como ele deve ser utilizado na MASLD?

O FIB-4 é um escore não invasivo baseado em quatro variáveis simples: idade, níveis de transaminases (AST e ALT) e contagem de plaquetas. Na Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), ele é utilizado como a primeira ferramenta de triagem para fibrose avançada. Um valor de FIB-4 < 1,3 possui um alto valor preditivo negativo (cerca de 90%), permitindo excluir fibrose significativa com segurança na maioria dos pacientes. Valores acima de 1,3 (ou 2,0 em idosos) indicam risco intermediário ou alto, necessitando de avaliação complementar com elastografia hepática. É uma ferramenta de baixo custo e fácil aplicação na atenção primária e consultórios especializados.

Qual o papel da elastografia hepática no manejo da fibrose?

A elastografia hepática (como o FibroScan ou elastografia por ultrassom) mede a rigidez do parênquima hepático, que se correlaciona diretamente com o grau de fibrose. Na MASLD, ela é indicada quando os escores séricos (como o FIB-4) são inconclusivos ou sugerem risco de fibrose. Valores de rigidez hepática abaixo de 8 kPa geralmente excluem fibrose avançada, enquanto valores acima de 10-12 kPa sugerem cirrose compensada. A combinação de um escore sérico com a elastografia (algoritmo sequencial) aumenta a especificidade diagnóstica, reduzindo drasticamente a necessidade de biópsia hepática, que fica reservada para casos de discordância entre métodos ou suspeita de outras etiologias.

O que define a Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (HPCS) nos métodos não invasivos?

A Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (HPCS) é definida por um gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) ≥ 10 mmHg. Em termos de métodos não invasivos, a elastografia hepática é uma excelente ferramenta preditora. Segundo os critérios de Baveno VII, valores de rigidez hepática > 20-25 kPa, especialmente quando associados a uma contagem de plaquetas < 150.000/mm³, são altamente sugestivos de HPCS. O valor de 7 kPa mencionado em algumas alternativas é insuficiente para predizer hipertensão portal, sendo geralmente o ponto de corte para início de fibrose significativa (F2), e não para complicações hemodinâmicas da cirrose.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo