Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 52 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, apresenta fadiga crônica e discreto desconforto abdominal no hipocôndrio direito. Nega consumo de álcool. Os exames laboratoriais mostram ALT levemente elevada, AST/ALT < 1 e discreta elevação de triglicerídeos. A ultrassonografia abdominal revela aumento difuso da ecogenicidade hepática. Na investigação da doença hepática, qual é o próximo passo para o manejo diagnóstico desse paciente?
Suspeita de MASLD + Risco de Fibrose → Elastografia Hepática (Fibroscan).
Após identificar esteatose na USG em paciente com síndrome metabólica, o próximo passo essencial é avaliar o grau de fibrose para estratificar o prognóstico e definir a conduta.
A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) tornou-se a principal causa de hepatopatia crônica no mundo ocidental, acompanhando a epidemia de obesidade e diabetes. O grande desafio clínico não é apenas detectar a gordura no fígado, mas identificar quais pacientes apresentam inflamação e fibrose progressiva. O uso de ferramentas não invasivas, começando por escores como o FIB-4 e progredindo para a elastografia de transição, permite uma triagem eficiente. Pacientes com rigidez hepática aumentada necessitam de acompanhamento especializado, rastreamento de varizes esofágicas e carcinoma hepatocelular, além de intervenções intensivas no estilo de vida e controle metabólico.
MASLD (Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease) é a nova nomenclatura para a antiga DHGNA. O diagnóstico requer a presença de esteatose hepática (por imagem ou biópsia) associada a pelo menos um fator de risco metabólico (obesidade, DM2, HAS, dislipidemia) e exclusão de consumo excessivo de álcool.
A elastografia hepática (como o Fibroscan) mede a rigidez do parênquima hepático, que se correlaciona diretamente com o grau de fibrose. É um método não invasivo fundamental para identificar pacientes com fibrose avançada ou cirrose, que possuem maior risco de complicações e hepatocarcinoma.
A biópsia é reservada para casos onde os testes não invasivos (escores e elastografia) são inconclusivos ou conflitantes, ou quando há suspeita de outras doenças hepáticas concomitantes. Ela continua sendo o padrão-ouro para diagnosticar esteato-hepatite (NASH) e estadiar a fibrose com precisão.
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