INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um homem de 50 anos de idade realiza investigação ambulatorial devido ao aumento de transaminases: AST = 122 U/L (valor de referência: < 38 U/L) e ALT = 142 U/L (valor de referência: < 41 U/L) evidenciado em um exame de rotina. O paciente consome 5 latas de cerveja diariamente e nega o uso de drogas ilícitas. Não apresenta queixas clínicas. Os exames laboratoriais solicitados para a investigação demonstraram o que está apresentado no quadro a seguir. Com base nos aspectos clínicos e laboratoriais, o diagnóstico e a conduta neste momento devem ser, respectivamente,
Elevação transaminases + etilismo + HBsAg > 6 meses → Hepatite B crônica + Doença Hepática Alcoólica.
A elevação das transaminases em um paciente etilista crônico deve sempre levantar a suspeita de doença hepática alcoólica, mesmo na presença de outras etiologias como a hepatite B crônica. A interrupção do etilismo é a conduta mais importante para prevenir a progressão da doença hepática.
A doença hepática alcoólica (DHA) é uma das principais causas de morbimortalidade hepática globalmente, variando desde esteatose simples até hepatite alcoólica e cirrose. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico de consumo excessivo de álcool, e laboratorial, com elevação de transaminases (geralmente AST/ALT > 2:1), gama-GT e bilirrubinas. É crucial diferenciar a DHA de outras hepatopatias, como as virais, autoimunes ou metabólicas. A coexistência de hepatite B crônica com etilismo é comum e representa um desafio diagnóstico e terapêutico. A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) é diagnosticada pela persistência do antígeno de superfície (HBsAg) por mais de seis meses. A avaliação da atividade viral (DNA do HBV) e do grau de lesão hepática (biópsia ou elastografia) é fundamental para definir a necessidade de tratamento antiviral. A conduta para pacientes com doença hepática alcoólica é a abstinência total de álcool, que pode reverter a esteatose e melhorar a hepatite alcoólica. No caso de hepatite B crônica, o tratamento antiviral é indicado em pacientes com replicação viral ativa e/ou evidência de doença hepática significativa. Em situações de comorbidade, o manejo deve ser individualizado, priorizando a interrupção do etilismo e o acompanhamento rigoroso de ambas as condições para prevenir a progressão para cirrose e suas complicações.
A hepatite B crônica é caracterizada pela presença do HBsAg por mais de seis meses, com ou sem HBeAg, e DNA do HBV detectável, indicando infecção persistente.
O consumo crônico de álcool pode causar esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose, exacerbando lesões hepáticas de outras etiologias, como as virais.
A primeira e mais importante conduta é a orientação para interrupção completa do consumo de álcool, além da investigação de outras causas de lesão hepática.
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