Doença Hemorroidária: Classificação e Conduta Cirúrgica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 41 anos comparece a unidade básica de saúde com queixa de episódios de hematoquezia de 3 a 4 vezes por mês, durante os últimos 8 meses. O paciente relata que, durante as evacuações, observa nodulação na região anal, que costuma reintroduzir manualmente no ânus. Nega outras alterações associadas. \n\nO paciente nega tabagismo, perda de peso significativa, alterações no trânsito intestinal ou comorbidades. Ao exame físico, o paciente apresenta bom estado geral, sem alterações abdominais. Ao exame da região perianal, observa-se prolapso de tecido que se exterioriza à manobra de Valsalva, sendo possível sua redução manual. A inspeção local não revela fissuras ou abscessos. Não há sinais de inflamação intensa ou trombose. Sensibilidade e tônus esfincteriano preservados ao toque retal, sem massas ou lesões palpáveis na ampola retal.\n\nConsiderando esse caso clínico, responda os itens a seguir. \n\na) Qual é o diagnóstico mais provável? (valor: 2,0 pontos) \n\nb) Quais as classificações do quadro desse paciente, a partir do diagnóstico mais provável? (valor: 3,0 pontos) \n\nc) Cite apenas 3 condutas clínicas a serem adotadas nessa situação. (valor: 3,0 pontos) \n\nd) Qual a conduta cirúrgica indicada? (valor: 2,0 pontos)

Alternativas

Pérola Clínica

Hemorroida Grau III = Prolapso com redução manual → Cirurgia se falha clínica.

Resumo-Chave

O diagnóstico baseia-se na história de sangramento e prolapso. O tratamento inicial é conservador (fibras/água), mas o Grau III frequentemente requer intervenção cirúrgica ou procedimentos como ligadura elástica.

Contexto Educacional

A doença hemorroidária resulta do deslocamento distal e ingurgitamento dos coxins vasculares do canal anal. O quadro clínico clássico envolve hematoquezia indolor e prolapso. No caso descrito, a necessidade de redução manual confirma o Grau III de Goligher. O manejo clínico foca na redução do esforço evacuatório através da modificação dietética. Quando a cirurgia é indicada, a técnica de Milligan-Morgan é amplamente utilizada no Brasil devido à sua eficácia e baixas taxas de recorrência, apesar do desconforto pós-operatório. É crucial diferenciar hemorroidas de outras patologias anais, como fissuras (que causam dor intensa) ou abscessos, e sempre considerar a colonoscopia em pacientes com sinais de alarme ou idade de rastreio para câncer colorretal.

Perguntas Frequentes

Como classificar as hemorroidas internas?

As hemorroidas internas são classificadas pela escala de Goligher: Grau I (apenas sangramento, sem prolapso); Grau II (prolapso durante a evacuação com redução espontânea); Grau III (prolapso que exige redução manual pelo paciente); e Grau IV (prolapso persistente e irredutível).

Qual o tratamento para hemorroida grau III?

O tratamento inicial é sempre clínico/conservador, visando amolecer as fezes (dieta rica em fibras, hidratação e banhos de assento). Se houver falha ou sintomas persistentes, indicam-se procedimentos ambulatoriais como a ligadura elástica ou, mais comumente para o Grau III, o tratamento cirúrgico definitivo.

Quais as técnicas cirúrgicas principais?

As principais técnicas são a Hemorroidectomia Aberta (Milligan-Morgan), onde as feridas cicatrizam por segunda intenção, e a Hemorroidectomia Fechada (Ferguson), onde as feridas são suturadas. Outras opções incluem a Hemorroidopexia Grampeada (PPH) e a Desarterialização Hemorroidária Transanal (THD), que costumam ter menos dor pós-operatória.

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