UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Durante ato evacuatório, mulher de 39 anos vem percebendo sangue misturado com as fezes, sem dor associada e com pequeno nódulo palpável em borda anal, facilmente redutível com auxílio manual, há cerca de 3 meses. Quanto as opções de tratamento do caso, assinale a alternativa correta.
PPH (grampeador) → Menos dor pós-op inicial, mas ↑ taxa de recidiva vs cirurgia convencional.
O tratamento das hemorroidas grau III envolve desde manejo clínico até procedimentos cirúrgicos; o PPH oferece recuperação rápida, porém com maior risco de retorno dos sintomas.
A doença hemorroidária é classificada em graus (I a IV) conforme o prolapso. O caso clínico descreve hemorroidas grau III (prolapso que exige redução manual). O manejo inicial é sempre clínico, focado em dieta rica em fibras e hidratação para evitar o esforço evacuatório. Quando o tratamento conservador falha ou o prolapso é significativo, opta-se por intervenções. A escolha da técnica cirúrgica deve ser individualizada. A hemorroidectomia excisional continua sendo o padrão-ouro para resultados duradouros, apesar da dor pós-operatória significativa. O PPH e a desarterialização hemorroidária transanal (THD) surgiram como alternativas menos dolorosas, mas os pacientes devem ser informados sobre o risco superior de recidiva.
A hemorroidopexia mecânica (PPH) é indicada principalmente para hemorroidas internas de grau III e alguns casos de grau IV com componente de prolapso mucoso circunferencial. Ela não trata hemorroidas externas. A técnica consiste em realizar um grampeamento circular acima da linha pectínea, reduzindo o prolapso e interrompendo o suprimento vascular dos mamilos hemorroidários.
A técnica aberta (Milligan-Morgan) deixa as feridas cirúrgicas abertas para cicatrização por segunda intenção, sendo muito utilizada no Brasil. A técnica fechada (Ferguson) envolve a sutura da mucosa e pele após a ressecção. Estudos mostram que a técnica fechada pode ter uma cicatrização mais rápida e menos dor em alguns casos, mas ambas são eficazes e a escolha depende da preferência do cirurgião.
O PPH não remove o tecido hemorroidário propriamente dito, mas sim realiza uma 'anopexia' (reposicionamento do tecido). Como o tecido doente permanece no canal anal, a longo prazo, novos episódios de prolapso ou sangramento são mais frequentes quando comparados à hemorroidectomia excisional, que remove os mamilos afetados.
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