Hemorroidas Grau 2: Diagnóstico e Tratamento Clínico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 36 anos de idade é atendido na Unidade de Pronto Atendimento devido a episódio de perda de sangue vermelho vivo por via anal, após evacuação. O paciente informa o aparecimento, há cerca de 6 meses, de uma tumoração em região anal após as evacuações, que melhora espontaneamente depois de aproximadamente 30 a 60 minutos, e episódios eventuais de raias de sangue nas fezes, dor e prurido anal discretos. Relata que seu hábito intestinal não apresentou alterações recentes e que evacua a cada três dias, em média. Nega emagrecimento, febre, astenia, tabagismo e informa uso social de bebida alcoólica. Submetido à inspeção, evidenciou-se ânus de configuração anatômica, com contratilidade normal. Ao toque retal, o paciente refere dor discreta; o tônus do esfíncter não apresenta alterações, sendo perceptível cordão varicoso único com pequena massa indolor e endurecida em região posterior, estreitamento da luz e ausência de sangue em dedo de luva durante esse exame. Nesse caso, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta indicada são:

Alternativas

  1. A) Neoplasia retal; realização de retossigmoidoscopia.
  2. B) Polipose retal; internação do paciente e realização de colonoscopia.
  3. C) Doença hemorroidária grau 2; prescrição de analgésicos, incremento na ingestão de fibras e banhos de assento em água morna.
  4. D) Fissura anal com subestenose retal; prescrição de analgésicos, agentes formadores de bolo fecal e banhos de assento em água morna.

Pérola Clínica

Hemorroida Grau 2 = Prolapso com redução espontânea. Conduta: Dieta + Fibras + Banho de assento.

Resumo-Chave

Hemorroidas de graus iniciais (1 e 2) são tratadas preferencialmente com medidas higienodietéticas para regularizar o hábito intestinal e reduzir a congestão venosa.

Contexto Educacional

A doença hemorroidária é uma das patologias orificiais mais comuns na prática médica. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de sangramento rutilante e prolapso, confirmado pela inspeção e toque retal (embora hemorroidas internas não complicadas nem sempre sejam palpáveis). O tratamento deve ser escalonado: para graus 1 e 2, o foco é clínico (fibras, hidratação, evitar papel higiênico). Procedimentos ambulatoriais como ligadura elástica podem ser usados se o tratamento clínico falhar. A cirurgia fica reservada para graus 3 e 4 ou falha terapêutica persistente.

Perguntas Frequentes

Como classificar os graus das hemorroidas internas?

A classificação de Goligher divide as hemorroidas em 4 graus: Grau 1 (sangramento sem prolapso); Grau 2 (prolapso com redução espontânea); Grau 3 (prolapso que exige redução manual); Grau 4 (prolapso persistente/irredutível). O caso clínico descreve uma tumoração que 'melhora espontaneamente', o que define o Grau 2.

Qual o papel das fibras no tratamento?

O aumento da ingestão de fibras (dieta ou suplementos como psyllium) e água é fundamental para aumentar o volume fecal e amolecer as fezes. Isso reduz o esforço evacuatório e o tempo de permanência no vaso sanitário, diminuindo a pressão sobre os plexos hemorroidários e prevenindo o sangramento e o prolapso.

Por que indicar banhos de assento?

Banhos de assento com água morna promovem o relaxamento do esfíncter anal interno, que muitas vezes está hipertônico na doença hemorroidária. O calor local melhora a circulação, reduz o edema e alivia a dor e o prurido associados aos episódios de agudização.

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