FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 35 anos, refere sangramento esporádico nas fezes e abaulamento redutível em região anal. Ao exame físico, apresenta 2 botões hemorroidários externalizados. Qual é a melhor conduta para essa paciente?
Hemorroidas Grau I e II → Fibras + Hidratação + Hábitos evacuatórios são a 1ª linha.
O tratamento inicial da doença hemorroidária sintomática de baixo grau (I e II) é clínico, focando na correção da consistência fecal e redução do esforço evacuatório.
A doença hemorroidária é uma das patologias proctológicas mais comuns na prática clínica. A fisiopatologia envolve o deslizamento dos coxins anais devido à degeneração do tecido de sustentação e ao esforço crônico. O manejo inicial deve ser sempre conservador para os graus iniciais, visando eliminar os fatores desencadeantes, como a constipação intestinal. Além das fibras, orienta-se evitar o uso de papel higiênico (preferindo lavagem), evitar permanecer longos períodos sentado no vaso sanitário e praticar exercícios físicos. A cirurgia (hemorroidectomia) é reservada para casos de grau III refratários, grau IV ou quando há componente externo exuberante associado que cause desconforto significativo ou higiene prejudicada.
A classificação de Goligher divide as hemorroidas internas em quatro graus: Grau I (sangramento sem prolapso), Grau II (prolapso com redução espontânea), Grau III (prolapso que exige redução manual) e Grau IV (prolapso persistente não redutível). No caso da paciente com botões que se externalizam mas reduzem (implícito pelo quadro de abaulamento redutível), trata-se de grau II.
As fibras aumentam o volume do bolo fecal e retêm água, tornando as fezes mais macias. Isso reduz a necessidade de esforço evacuatório (manobra de Valsalva), que é o principal fator fisiopatológico para o ingurgitamento e prolapso dos coxins hemorroidários. A recomendação é de 25 a 35g de fibras por dia associada a uma hidratação vigorosa.
A ligadura elástica é uma opção para hemorroidas de graus I, II e selecionados casos de grau III que não responderam adequadamente ao tratamento clínico inicial (fibras e hábitos). É um procedimento ambulatorial eficaz para controlar o sangramento e reduzir o prolapso mucoso, mas não deve ser a primeira conduta antes das mudanças dietéticas.
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