Doença Hemorrágica do RN: Diagnóstico e Tratamento com Vitamina K

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido, sexo masculino, é levado ao setor de emergência com 16 horas de vida. O paciente nasceu na residência da família, e o pai informa que o bebê “evacuou sangue”. Exame físico: peso 3.500g, comprimento 50 cm, FC 150 bpm, FR 50 irpm, pulsos periféricos facilmente palpáveis, exsudação sanguinolenta no coto umbilical. Exames laboratoriais: plaquetas: 300.000/mm, TAP e PTT prolongados, BT: 5mg/dl, função hepática normal. A medida terapêutica mais importante é a administração de:

Alternativas

  1. A) antibiótico.
  2. B) vitamina K.
  3. C) fatores de coagulação.
  4. D) plasma fresco congelado.
  5. E) acetato de desmopressina.

Pérola Clínica

RN com sangramento precoce, TAP/PTT prolongados, função hepática normal → Doença Hemorrágica do RN por deficiência de Vitamina K.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um recém-nascido com sangramento (melena, exsudação umbilical) e coagulopatia (TAP e PTT prolongados) nas primeiras horas de vida, especialmente em um parto domiciliar sem profilaxia, é altamente sugestivo de Doença Hemorrágica do Recém-Nascido por deficiência de vitamina K. A administração de vitamina K é a medida terapêutica mais importante.

Contexto Educacional

A Doença Hemorrágica do Recém-Nascido (DHRN) é uma coagulopatia adquirida que ocorre devido à deficiência de vitamina K, essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação dependentes de vitamina K (II, VII, IX e X). É classificada em precoce (nas primeiras 24h), clássica (1-7 dias) e tardia (1 semana a 6 meses). O caso apresentado, com sangramento às 16 horas de vida e parto domiciliar (sem profilaxia usual de vitamina K), é um exemplo típico de DHRN precoce ou clássica. A fisiopatologia reside na imaturidade hepática do RN, que resulta em baixa produção de fatores de coagulação, e na baixa transferência placentária de vitamina K, além da ausência de flora intestinal produtora de vitamina K nos primeiros dias de vida. Os exames laboratoriais mostram TAP e PTT prolongados, com plaquetas e função hepática normais, o que diferencia de outras coagulopatias ou disfunções hepáticas. A medida terapêutica mais importante é a administração de vitamina K, que reverte rapidamente a coagulopatia. Em casos de sangramento ativo e grave, pode ser necessário o uso de plasma fresco congelado para fornecer fatores de coagulação de forma imediata, mas a vitamina K é o tratamento etiológico. A profilaxia universal com vitamina K ao nascimento é uma prática padrão para prevenir essa condição, e sua ausência, como em partos domiciliares não assistidos, aumenta significativamente o risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais da doença hemorrágica do recém-nascido?

Os sinais incluem sangramentos em diversas localizações, como melena (sangue nas fezes), sangramento umbilical, equimoses, cefalohematoma e, em casos graves, hemorragia intracraniana.

Por que a vitamina K é crucial no recém-nascido?

A vitamina K é essencial para a síntese dos fatores de coagulação II, VII, IX e X. Recém-nascidos têm baixas reservas de vitamina K e uma flora intestinal imatura, o que os torna suscetíveis à deficiência e, consequentemente, a sangramentos.

Qual a importância da profilaxia com vitamina K ao nascimento?

A profilaxia com vitamina K ao nascimento (geralmente 1 mg IM) previne a doença hemorrágica do recém-nascido, uma condição potencialmente grave e evitável, garantindo a produção adequada dos fatores de coagulação.

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