Doença Hemorrágica do RN: Diagnóstico e Prevenção

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascida (RN) de 5 dias de vida é trazida ao pronto-socorro pela mãe, por apresentar fezes de coloração vermelha. A família, de baixo nível socioeconômico, mora em assentamento. A mãe se encontra em tratamento no quinto mês de tuberculose pulmonar com o uso de rifampicina e isoniazida. Gesta 6, Para 6, 01 natimorto do sexo masculino. Fez pré-natal irregular, mas trouxe resultados de exames sorológicos de prénatal todos normais. Teve parto domiciliar normal eutócico, acompanhada por uma dola da comunidade. A RN nasceu sem intercorrência relatada, chorando logo ao nascer com vigor. Não recebeu qualquer medicamento desde o nascimento. Está em aleitamento materno exclusivo. Esse é primeiro exame por profissional de saúde. Ao exame físico, encontra-se em BEG, ativa, reativa e apresenta de importância ao exame físico áreas de equimoses nas nádegas e nas extremidades inferiores. Está com taquicardia leve e suas fezes têm sangue visível à inspeção. O exame é normal nos demais aspectos. Qual dos seguintes diagnósticos é o mais provável?

Alternativas

  1. A) Sepse tardia.
  2. B) Infecção por salmonela.
  3. C) Tuberculose forma congênita.
  4. D) Doença hemorrágica do recém-nascido.
  5. E) Abuso sexual.

Pérola Clínica

RN < 7 dias + sangramento (GI, pele) + sem profilaxia Vit K → Doença Hemorrágica do RN.

Resumo-Chave

A Doença Hemorrágica do Recém-Nascido (DHRN) é causada pela deficiência de vitamina K, essencial para a coagulação. É comum em RNs que não receberam profilaxia ao nascer, especialmente em partos domiciliares sem assistência médica. Manifesta-se com sangramentos em diferentes locais, como trato gastrointestinal e pele.

Contexto Educacional

A Doença Hemorrágica do Recém-Nascido (DHRN), ou deficiência de vitamina K, é uma condição grave que pode levar a sangramentos potencialmente fatais. É classificada em precoce (primeiras 24h), clássica (2-7 dias) e tardia (2 semanas a 6 meses). A DHRN clássica é a mais comum e ocorre em RNs que não receberam vitamina K ao nascer. A vitamina K é essencial para a síntese dos fatores de coagulação II, VII, IX e X. Recém-nascidos são deficientes em vitamina K devido à baixa transferência placentária, baixos níveis no leite materno e imaturidade da microbiota intestinal. O quadro clínico inclui sangramentos em pele (equimoses), mucosas, trato gastrointestinal (fezes vermelhas), umbilical e, mais gravemente, intracraniano. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de sangramento e na ausência de profilaxia com vitamina K. O tratamento consiste na administração de vitamina K. A prevenção é simples e altamente eficaz, com a administração de 1 mg de vitamina K intramuscular a todos os recém-nascidos logo após o nascimento, conforme recomendação universal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a Doença Hemorrágica do Recém-Nascido?

Os principais fatores de risco incluem a ausência de profilaxia com vitamina K ao nascer, aleitamento materno exclusivo (leite materno tem baixa concentração de vitamina K), uso materno de certos medicamentos (como anticonvulsivantes, rifampicina) e prematuridade.

Como a Doença Hemorrágica do Recém-Nascido se manifesta clinicamente?

A DHRN pode se manifestar com sangramentos em diversos locais, como trato gastrointestinal (melena, hematêmese), pele (equimoses, petéquias), cordão umbilical, locais de punção e, em casos graves, hemorragia intracraniana.

Qual a importância da profilaxia com vitamina K ao nascimento?

A profilaxia com vitamina K (geralmente 1 mg IM) ao nascimento é crucial para prevenir a DHRN, pois os recém-nascidos têm baixas reservas de vitamina K e sua microbiota intestinal ainda não produz quantidades suficientes.

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